Oposição articula impeachment de Gilmar Mendes após pedido para investigar Romeu Zema
- Jason Lagos
- há 1 dia
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O episódio ganha dimensão maior porque Romeu Zema já vinha elevando o tom contra o Supremo
A oposição na Câmara anunciou que pretende apresentar um pedido de impeachment contra o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, após a iniciativa do magistrado para incluir o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, no inquérito das fake news. O movimento foi encampado pelo deputado Gilberto Silva (PL-PA) e transformou em nova frente política o embate já aberto entre setores da direita e ministros da Corte.
A reação ocorreu depois que Gilmar encaminhou ao ministro Alexandre de Moraes uma representação pedindo a apuração de Zema por causa de um vídeo publicado nas redes sociais. Na peça, o ministro afirma que o conteúdo atinge sua honra, sua imagem e a do próprio Supremo. Moraes, relator do inquérito das fake news, pediu manifestação da Procuradoria-Geral da República antes de decidir se o ex-governador será ou não incluído na investigação.
No vídeo que motivou a ofensiva judicial, dois bonecos em tom de sátira representam Gilmar Mendes e Dias Toffoli. A gravação faz ironias sobre decisões recentes e insinua favorecimentos indevidos, em um formato que ampliou a tensão entre Zema e integrantes do STF. A publicação se soma a uma sequência de ataques feitos pelo ex-governador ao tribunal nas últimas semanas.
Ao justificar o pedido de impeachment, Gilberto Silva afirmou que a oposição vê risco de criação de um precedente grave, sobretudo porque Zema é pré-candidato à Presidência. Segundo o parlamentar, a investigação passaria a tratar crítica política e institucional como infração, o que, na leitura da oposição, representa avanço indevido sobre o debate público.
O episódio ganha dimensão maior porque Zema já vinha elevando o tom contra o Supremo. Em declarações recentes, ele defendeu o impeachment de ministros da Corte e chegou a dizer que Dias Toffoli e Alexandre de Moraes “merecem prisão”, o que acirrou ainda mais o ambiente de confronto. Gilmar respondeu chamando de contraditória a postura do ex-governador, ao lembrar que Minas recorreu ao STF diversas vezes para aliviar a crise fiscal do Estado.
Pedidos de impeachment de ministros do STF precisam ser aceitos pelo presidente do Senado para seguir adiante. Só depois disso pode haver tramitação formal, com defesa, análise política e eventual julgamento pelos senadores. Até aqui, o Senado tem resistido a abrir esse tipo de processo.
O caso mostra que a disputa entre oposição e Supremo entrou em uma nova etapa, em que vídeos, declarações públicas e provocações políticas passam a ter consequência institucional imediata. Mais do que um gesto simbólico, a articulação contra Gilmar serve para manter mobilizada a base contrária ao STF e para reforçar o discurso de perseguição adotado por aliados de Zema.
Nesta segunda-feira (20), o ex-governador de Minas comparou ações de ministros do STF aos casos de pedofilia cometidos por membros da Igreja Católica.
“Estou longe de ter qualquer posicionamento radical ou extremista. Agora, falar que não estou indignado e inconformado com ministros do Supremo que deveriam ser exemplos e, nesse momento, fizeram negócios e encontraram, voaram junto com o maior chefe do crime organizado do Brasil, me parece que é algo semelhante ao Papa e seus assessores estarem fazendo algo referente a abuso infantil. É algo que realmente nos dá nojo”, declarou Zema em entrevista à CNN Brasil.
Créditos: Estadão




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