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No Peru, Keiko Fujimori ultrapassa Roberto Sánchez após 98% das urnas apuradas

  • Foto do escritor: Jason Lagos
    Jason Lagos
  • há 42 minutos
  • 2 min de leitura

Órgão eleitoral do país processou pouco mais de 98% das urnas até o momento. Diferença é de 651 votos


A candidata conservadora Keiko Fujimori, do partido Força Popular, lidera a apuração com uma vantagem extremamente pequena.  Ela tem 50,002% dos votos válidos contra 49,998% de Roberto Sánchez, deputado de esquerda da coalizão Juntos pelo Peru.


A diferença entre os dois concorrentes é de apenas 651 votos. O órgão eleitoral do país processou pouco mais de 98% das urnas até o momento. A virada de Keiko aconteceu por volta da 1h de hoje (horário de Brasília).


Candidatos evitaram se declarar vencedores antes do fim da contagem. Keiko afirmou que "teremos dias longos pela frente", enquanto Sanchez disse a apoiadores que a disputa estava em "empate técnico" e que tudo ainda estava em aberto.


Pesquisas de boca de urna e contagens rápidas também não indicaram um vencedor claro. Os levantamentos divulgados após o fechamento das urnas apontavam um cenário de forte equilíbrio, com os dois candidatos tecnicamente empatados.


Parte do eleitorado esperava que a eleição encerrasse um período de instabilidade política no Peru. Nos últimos anos, o país viu uma sucessão de presidentes ser presa, destituída ou sofrer impeachment.


Em 2021, Pedro Castillo derrotou Keiko Fujimori por 0,26 pontos percentuais. Em 2016, o vencedor foi Pedro Kuczynski, por uma diferença de 0,24 pontos percentuais.


Uma crise política e o uso frequente de impeachment pelo parlamento fizeram o Peru trocar nove presidentes em 10 anos. O período de instabilidade começou em 2016, após fim do mandato de Ollanta Humala.


Mesmo tendo sido o último presidente a concluir o mandato, Humala entregou o cargo com popularidade entre 11% e 15%, situação que o Parlamento aproveitou para ganhar influência.


O cientista político americano Steven Levitsky define o Peru como uma "democracia sem partidos". No país não existem partidos políticos sólidos, históricos ou ideológicos, e por isso funcionam como "veículos eleitorais" temporários ou "empresas de aluguel" criadas apenas para disputar uma eleição em torno de uma figura popular.


O Congresso peruano volta a ter duas Casas, o que pode mudar a dinâmica de crises políticas. A volta do Senado, prevista para julho, reforça o peso do Legislativo e divide especialistas sobre se o modelo trará mais estabilidade ou ampliará o poder de bloqueio.


O partido de Keiko, Força Popular, aparece como a principal bancada nas duas Casas após o primeiro turno. A sigla elegeu 41 de 130 cadeiras na Câmara e 22 de 60 no Senado, enquanto o Juntos pelo Peru, de Sánchez, ficou com 32 de 130 e 14 de 60.


Até às 7h da manhã desta quinta-feira, haviam sido apuradas 98,215% das urnas, restando apurar apenas 0,023%. Há, no entanto, 1,762% de urnas que foram impugnadas por representantes dos candidatos e passarão por revisão da Justiça Eleitoral.



Créditos: UOL

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