Campanha de Flávio aposta em OAB para reaver visitas a Bolsonaro, mas admite pessimismo com Moraes

O presidenciável é advogado e está inscrito desde março na defesa do pai para ter mais acesso a ele
A pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aposta em um pedido da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) para reverter a proibição, estabelecida pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, de que o senador visite seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pelos próximos 90 dias.
Em ofício a Moraes, a Ordem pediu para que seja "assegurada a possibilidade de comunicação pessoal e reservada entre o advogado e seu constituinte para finalidades estritamente profissionais" e nos termos que o ministro entender serem necessários.
Uma parte dos aliados do senador admite ser difícil que Moraes ou integrantes da Primeira Turma do STF acate algum recurso para reverter a situação, dado que veem esses ministros como adversários políticos do bolsonarismo. Ainda assim, a defesa de Flávio fez o pedido para que a OAB apelasse ao ministro como forma de testar o ambiente do Supremo.
Aliados mais otimistas do presidenciável do PL dizem que o veto de comunicação entre Flávio e Bolsonaro pode não perdurar tanto tempo e minimizam o impacto eleitoral da medida.
Esses aliados não descartam que Moraes atenda o pleito da OAB e volte atrás. Para integrantes da pré-campanha, entendem que a decisão do ministro foi um tiro no pé, que serviu apenas para vitimizar Flávio e unificar a direita em torno dele. Podem pesar ainda, dizem eles, as críticas internas de parte dos ministros à posição de Moraes.
Por enquanto, a estratégia da pré-campanha é aguardar o tom da resposta de Moraes à solicitação da OAB antes de avaliar ingressar com recursos para derrubar a medida, que também podem ser interpostos pela defesa de Bolsonaro. Esses recursos seriam julgados pelo próprio Moraes ou pela Primeira Turma, composta por ele e Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia.
Na segunda-feira (13), Moraes proibiu Flávio de visitar o pai por 90 dias após entender que o senador descumpriu a medida cautelar que veta o ex-presidente de usar redes sociais, diretamente ou por terceiros, ao divulgar uma carta de Bolsonaro no fim de semana.
O presidenciável, que é advogado e está inscrito desde março na defesa do ex-presidente para ter mais acesso a ele, acionou a Procuradoria Nacional de Defesa das Prerrogativas da OAB para manter o contato direto com Bolsonaro.
Reservadamente, um ministro do STF afirmou que a decisão de Moraes de proibir as visitas de Flávio a Bolsonaro foi um gesto público muito ruim e comparou com a situação de Lula (PT), preso em 2018, que podia escrever e divulgar cartas na ocasião. Ainda segundo esse ministro, manter esse veto por 90 dias, até depois do primeiro turno, seria uma interferência na eleição.
No entanto, a decisão de Moraes tem o apoio de outros membros da corte que costumam dar respaldo ao relator desde o início do processo da trama golpista. A leitura de pessoas próximas a Moraes é a de que, caso ele opte por levar o tema para julgamento na Primeira Turma, ele terá maioria para manter os termos da sua decisão.
Articuladores políticos de Flávio dizem que há um prejuízo na falta de diálogo entre o senador e Bolsonaro, já que o ex-presidente costuma aconselhar o filho e participar das decisões da pré-campanha. Para eles, porém, a carta já garantiu que o senador seja visto na direita como porta-voz do pai, o que diminui o impacto da futura falta de comunicação entre eles —pelo menos, Flávio já estaria imbuído da autoridade do ex-presidente.
Levantamento da Ativaweb Datalab mostra que a decisão do ministro Alexandre de Moraes transformou-se num dos principais fatos políticos no país, a poucos dias das convenções partidárias.
Em 18 horas de discussões provocadas pela canetada do magistrado, as redes sociais — Instagram, TikTok e YouTube — registraram mais de 18 milhões de postagens sobre o tema.
Segundo a análise, 84,7% das manifestações classificadas apresentaram críticas ao STF e ao ministro Alexandre de Moraes, indicando que a repercussão foi impulsionada mais pela disputa de narrativas do que pela discussão técnica da decisão judicial.
A decisão de Moraes, ao invés de isolar ainda mais Flávio Bolsonaro, acabou o ajudando a sair das cordas na pré-campanha eleitoral. Questionado até por aliados mais próximos, o filho de Jair Bolsonaro passou a mobilizar as redes em uma nova cruzada contra o Supremo e o ministro, acusado por ele de perseguição política.
Créditos: Folha SP e Veja



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