Toffoli deixa relatoria do caso Master no STF e André Mendonça assume o caso
- Jason Lagos
- há 2 horas
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A decisão da saída de Toffoli do caso Master foi tomada durante reunião entre ele e os demais ministros
O ministro Dias Toffoli deixou a relatoria do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão ocorre após relatório da Polícia Federal (PF) apontar menções ao nome do magistrado no celular de Daniel Vorcaro, dono do banco Master.
O material foi entregue pessoalmente pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, ao presidente do STF, Edson Fachin, na segunda-feira (9). O movimento aumentou a pressão pela saída de Toffoli da relatoria do processo na Corte.
A decisão da saída de Toffoli do caso Master foi tomada durante reunião entre ele e os demais nove ministros em exercício na Corte, na tarde destaa quinta-feira (12).
Na reunião, houve um acordo em que os ministros rejeitaram o pedido de suspeição contra Toffoli e consideraram todos os atos do magistrado no processo como legítimos. Em troca, ele deixa a relatoria e o caso foi redistribuído para o ministro André Mendonça por meio de sorteio.
Após a reunião, os 10 ministros do Supremo emitiram uma nota afirmando que afastaram a possibilidade de suspeição do relator e manifestaram “apoio pessoal” ao ministro Dias Toffoli após as revelações sobre as mensagens com Vorcaro.
Ainda segundo a nota, foi decisão do próprio Toffoli de enviar seus atos no caso Master para redistribuição do presidente da Corte, Edson Fachin.
A reunião desta quinta terminou pouco depois das 20h e foi convocada pelo presidente do Supremo, ministro Edson Fachin.
Na reunião entre Fachin e os ministros, foi apresentado o documento encaminhado pela direção-geral da PF. O presidente do STF ouviu Toffoli sobre o conteúdo. Sigiloso, o material traz menções ao ministro e a negociações sobre o resort Tayayá, no Paraná, que esteve envolvido na teia do caso Master.
Mais cedo, nesta quinta, Toffoli admitiu ser sócio do tal resort, mas afirmou não ter relação com Vorcaro nem com seus familiares.
Ministros do STF manifestaram críticas à atuação da Polícia Federal na apuração que envolveu o ministro Dias Toffoli, apontando que a investigação teria sido conduzida sem autorização judicial prévia.
Relatos atribuídos a integrantes da Corte indicam desconforto com o procedimento adotado pela Polícia Federal. O ministro André Mendonça comentou o caso, afirmando: “Não acho que isso seja aceitável, eu não gostaria disso para ninguém”.
Outro integrante do STF foi ainda mais enfático ao questionar a iniciativa da PF. “Não foi acidental, um encontro fortuito com indícios. Fizeram uma investigação à revelia do STF, e não poderiam fazer isso”, declarou. O mesmo ministro acrescentou: “Não entregaram um material bruto à Corte. Toffoli foi efetivamente investigado”.
A Polícia Federal encaminhou a Edson Fachin um relatório que apresenta troca de mensagens entre Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, e seu cunhado, Fabiano Zettel. Nas conversas, segundo o documento, os dois discutem pagamentos destinados à empresa Maridt Participações, da qual Toffoli é sócio.
As informações passaram a ampliar a controvérsia em torno do ministro, sobretudo após a divulgação de dados que relacionam familiares do magistrado a pessoas mencionadas nas investigações sobre fraudes financeiras. De acordo com a PF, o esquema sob apuração pode ter movimentado pelo menos R$ 17 bilhões.
Dias Toffoli integra o quadro societário da Maridt Participações, empresa que realizou operações com um fundo administrado pela Reag, apontada como ligada ao Banco Master. O ministro reconheceu sua participação societária, mas negou ter recebido valores pagos por Daniel Vorcaro.
Créditos: Metrópoles e Folha de São Paulo



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