Polícia Federal apresenta pedido de suspeição contra Dias Toffoli após acessar celular de Daniel Vorcaro
- Jason Lagos
- há 1 dia
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O gabinete de Toffoli disse que “o pedido de declaração de suspeição apresentado pela PF trata de ilações”
A Polícia Federal (PF) apresentou arguição de suspeição contra o ministro Dias Toffoli no Supremo Tribunal Federal (STF).
O documento com o material obtido a partir da extração dos aparelhos eletrônicos de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi entregue ao ministro Edson Fachin, presidente da Corte, que tem a atribuição de analisar esse tipo de ação.
No meio das conversas encontradas no aparelho de Vorcaro há menções ao nome do ministro Dias Toffoli, relator do caso no STF.
Ao receber o documento, na última segunda-feira (9), Fachin determinou que Toffoli se manifestasse nos autos do processo, que tramita em sigilo.
Interlocutores ouvidos pelo portal Metrópoles afirmaram que Toffoli está tranquilo e declarou que não há nada no processo que o relacione a Vorcaro.
O entendimento entre alguns integrantes da Corte é de que a Arguição de Suspeição deveria ser de autoria da Procuradoria-Geral da República (PGR), que é a responsável por analisar os materiais apreendidos na operação Compliance Zero.
A relatoria de Toffoli no caso passou a ser questionada após divulgação de que o resort Tayayá, vinculado ao magistrado, manteve relações com fundos ligados ao Master.
Em nota, o gabinete de Toffoli afirmou que “o pedido de declaração de suspeição apresentado pela Polícia Federal trata de ilações”.
“Juridicamente, a instituição não tem legitimidade para o pedido, por não ser parte no processo, nos termos do artigo 145, do Código de Processo Civil. Quanto ao conteúdo do pedido, a resposta será apresentada pelo Ministro ao Presidente da Corte”, declarou.
As mensagens periciadas pela PF teriam menções de pagamentos ao ministro Dias Toffoli. A perícia foi concluída nesta quarta-feira (11).
Investigadores relataram ainda à CNN Brasil que Toffoli também menciona pagamentos, mas de forma cifrada.
A linha de investigação da PF é se a transferência de recursos a Toffoli partiu da empresa que foi sócia de um fundo ligado ao Banco Master no resort Tayaya, frequentado pelo ministro e que pertenceu aos irmãos dele.
O primo de Vorcaro, Fabiano Zettel, também alvo das investigações, aparece nas mensagens fazendo referências a esses pagamentos.
Outras autoridades públicas são citadas em conversas encontradas nos aparelhos celulares do banqueiro.
Em nota, a defesa de Vorcaro diz que tem "preocupação com o vazamento seletivo de informações, que acaba por gerar constrangimentos indevidos, favorecer ilações e a construção de narrativas equivocadas, além de prejudicar o pleno exercício do direito de defesa".
Já o ministro Dias Toffoli disse a interlocutores que recebeu dinheiro da empresa Maridt após a venda de sua participação no resort Tayaya a um fundo ligado ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
A informação foi revelada pela coluna da jornalista Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo. Isso teria ocorrido pelo magistrado fazer parte da sociedade na empresa junto com familiares.
Toffoli disse que é sócio há vários anos da Maridt. A empresa — que controlava 33% do Tayaya — é uma sociedade anônima de livro, em que o nome dos acionistas não é acessível a terceiros, como em companhias abertas.
Créditos: Metrópoles e CNN Brasil



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