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Nos EUA, Flávio Bolsonaro vai à audiência pública para tratar do tarifaço que pode atingir o Brasil

  • Foto do escritor: Jason Lagos
    Jason Lagos
  • há 1 dia
  • 3 min de leitura

Aliados do primogênito do ex-presidente Jair Bolsonaro afirmam que a ida aos EUA é "crucial" para ele


O senador e pré-candidato ao Palácio do Planalto Flávio Bolsonaro (PL-RJ), acompanhado por representantes do agronegócio brasileiro, participa, nesta segunda-feira (6), em Washington, de uma audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).


Ao chegar em Washington neste domingo (5), Flávio criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por mostrar o dedo do meio durante evento do governo. "Enquanto o atual presidente manda o dedo do meio para o povo brasileiro, eu vim à Washington defender os brasileiros" afirmou Flávio.


O petista fez o gesto na sexta-feira, durante discurso em uma cerimônia no Palácio do Planalto. "Precisamos acabar com essa ideia de que o pobre não gosta de coisa boa. Aqui para eles (mostrando o dedo do meio). Nós gostamos de coisa boa, queremos tudo de primeira" declarou Lula


Aliados do primogênito do ex-presidente Jair Bolsonaro sinalizaram que a ida aos EUA é "crucial" para mostrar a força de Flávio. A percepção no entorno do parlamentar é que ele pode se reunir com o secretário de Estado, Marco Rubio, antes da audiência e conseguir alguma vantagem sob o tarifaço.


Enquanto isso, o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) trabalha com um cenário de incerteza sobre a decisão norte-americana prevista para o dia 15. Nos bastidores do Palácio do Planalto, a avaliação é que as negociações entraram em uma fase decisiva, mas que fatores políticos passaram a pesar tanto quanto os argumentos técnicos apresentados por Brasília.


O desfecho poderá afetar setores exportadores, influenciar o rumo das negociações bilaterais e aprofundar a disputa política em torno da relação entre a família Bolsonaro e a administração de Donald Trump.


Auxiliares do presidente Lula avaliam que a disputa deixou de ser apenas econômica. Na visão do Planalto, parte do governo de Donald Trump passou a tratar o caso sob uma ótica ideológica, sobretudo em razão da proximidade das eleições presidenciais brasileiras.


A percepção é que diferentes alas da administração americana atuam de forma distinta: enquanto os órgãos técnicos mantêm diálogo com o governo brasileiro, setores políticos enxergam o processo como instrumento de pressão sobre o cenário eleitoral no Brasil.


Nesse contexto, a atuação do senador Flávio Bolsonaro junto às autoridades dos EUA é vista com preocupação pelo Planalto. A avaliação reservada é que a ofensiva do parlamentar acabou vinculando ainda mais a discussão comercial à disputa política brasileira.


Interlocutores do governo entendem que, ao pedir o adiamento ou a suspensão das tarifas sob o argumento de que elas poderiam fortalecer Lula, o senador assumiu também parte do risco de um eventual fracasso das negociações, caso os Estados Unidos mantenham as medidas anunciadas.


A viagem de Flávio representa uma tentativa de reposicionar sua campanha e reduzir os impactos dos desgastes recentes. Na avaliação do cientista político Murilo Medeiros, da Universidade de Brasília (UnB), a estratégia busca alterar o foco do debate público após episódios que afetaram a candidatura, como o caso Dark Horse e a repercussão do vídeo de Michelle Bolsonaro. Para ele, a aposta agora recai sobre temas econômicos e de política internacional.


Segundo o analista, a ida a Washington também tem como objetivo disputar espaço no discurso sobre a defesa dos interesses nacionais diante das recentes tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos.


Apesar da estratégia, Medeiros alerta que a iniciativa também aumenta a cobrança por resultados. Segundo ele, a expectativa criada pela viagem pode se voltar contra a candidatura caso não haja avanços concretos. "Flávio precisa voltar ao Brasil acompanhado de algum resultado perceptível para produzir ganhos duradouros", afirma o especialista.



Créditos: Correio Braziliense e O Globo

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