Flávio Bolsonaro troca de marqueteiro após repercussão do caso Dark Horse
- Jason Lagos
- há 10 horas
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Acompanhado de integrantes da bancada do PL na Câmara e no Senado, Flávio faz declaração à imprensa
A crise gerada pela relação de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, levou a pré-campanha do senador a trocar o marqueteiro Marcello Lopes, amigo do pré-candidato e ex-policial.
Marcello divulgou uma nota, nesta quarta-feira (20), afirmando que não vai mais colaborar com a pré-campanha. O publicitário Eduardo Fischer é o novo encarregado de montar a equipe de comunicação.
A mudança no comando da pré-campanha tem como base a avaliação interna de que a reação à divulgação, pelo site The Intercept Brasil, de conversas entre Flávio e Vorcaro foi ruim. Houve uma série de críticas por parte de auxiliares do senador, que reclamaram de demora, falta de transparência de Flávio e de pontas soltas na narrativa.
Mesmo antes da crise com Vorcaro, a cúpula do PL já pressionava pela saída de Marcello, dono da agência Cálix Propaganda e ex-policial civil do Distrito Federal. Desde a semana passada, porém, a substituição ganhou força entre os auxiliares de Flávio.
Dias antes de eclodir a ligação entre Flávio e Vorcaro, a Folha revelou que Marcello também teve relação com o ex-banqueiro, o que aumentou o desgaste interno do publicitário. O marqueteiro consta em documento como um dos estrategistas do plano de ataque nas redes sociais ao Banco Central contratado por Vorcaro em 2025 e recebeu R$ 650 mil na época da ação. Marcello disse estar surpreso com a menção e afirma não ter participado do caso.
Nos últimos dias, ainda sob o comando de Marcello, a pré-campanha fez uma série de levantamentos para calcular o tamanho do dano do caso Dark Horse.
De acordo com pessoas com conhecimento dessas sondagens internas, uma pesquisa mostra que a maioria dos entrevistados opina que o senador errou ao pedir patrocínio a Vorcaro para o filme sobre Jair Bolsonaro (PL), mas que também é majoritária a parcela que diz que ele não recebeu vantagens financeiras do dono do Master.
Em relação à apertada disputa com o presidente Lula (PT), a pré-campanha tem acompanhado as variações diárias nas intenções de voto, os chamados trackings. Nesse ponto, os números internos indicam a calcificação do eleitorado polarizado, fiel ao bolsonarista ou ao petista, mas há variação no grupo independente, que pode decidir o pleito.
Para tentar preencher lacunas, principalmente sobre o caminho do dinheiro, Flávio afirmou que pediu ao fundo americano que recebeu a verba de Vorcaro e à produtora brasileira que apresentem, em até 30 dias, uma prestação de contas com o detalhamento das despesas com o filme.
Nesta semana, Flávio marcou reuniões em Brasília para se explicar às bancadas de deputados federais e senadores do PL, e em São Paulo, para tentar acalmar agentes do mercado financeiro.
Em meio à desconfiança de aliados e correligionários, o pré-candidato, que antes vinha escondendo até de políticos próximos a relação com Vorcaro, admitiu aos congressistas a visita ao ex-banqueiro antes que isso fosse divulgado pela imprensa.
A mudança na equipe de comunicação ocorre depois das duas entrevistas que Flávio concedeu após o escândalo vir à tona, na última quarta (13). A avaliação da pré-campanha foi de que a primeira entrevista, à GloboNews, não ajudou a propagar a mensagem de Flávio, mas ao menos sinalizou aos eleitores que ele não tem nada a esconder.
A partir da segunda entrevista, dada à CNN Brasil, Flávio conseguiu empatar reações negativas e positivas nas redes, segundo sua equipe.
Em relação às repercussões políticas, aliados de Flávio minimizam o impacto da crise. Eles afirmam que a bancada o PL tem demonstrado apoio, engajamento e disposição —e que está entendido no partido que não haverá substituição por outro candidato.
Antes da crise com o Master, a pré-campanha já vinha buscando reforçar a área da comunicação. Foram contratados o jornalista Alexandre Oltramari e o publicitário Toninho Neto.
Créditos: Folha SP



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