Flávio Bolsonaro aposta em CPI do Master contra desgaste, mas aliados veem chances mínimas
- Jason Lagos
- há 11 horas
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O senador diz que sua relação com Vorcaro não envolveu dinheiro público nem favorecimento ao Master
Pré-candidato à Presidência, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apostará na defesa da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Banco Master para tentar reverter o desgaste causado pela revelação de que tratava o ex-banqueiro Daniel Vorcaro como "meu irmão" e que pediu R$ 134 milhões para financiar um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A estratégia foi traçada pela equipe de campanha como uma forma de mostrar distanciamento de Vorcaro e passar a imagem de que Flávio é favorável a investigações que revelem quais políticos cometeram crimes e teriam ajudado o Banco Master nas fraudes, de acordo com quatro políticos e dirigentes da oposição. Até então, o pré-candidato dizia que não conhecia Vorcaro.
O senador tem dito, desde que as conversas vieram à tona, que sua relação com Vorcaro não envolveu dinheiro público nem favorecimento ao Master. "É preciso separar os inocentes dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai", disse Flávio em nota.
Apesar do discurso, integrantes do PL afirmam que não veem chances de uma CPI ser instalada porque o presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), é contrário à investigação –aliados dele são alvo de apuração da PF (Polícia Federal) por prejuízos ao fundo de previdência do Amapá com aportes no Master.
Aliados do governo Lula (PT) também protocolaram seus próprios pedidos de CPIs sobre o Master, como uma reação às iniciativas da oposição que miravam exclusivamente as relações de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) com Vorcaro. Eles têm defendido nas redes sociais e discursos públicos a investigação contra o banco, mas concordam que não há chances de que sejam instaladas antes da eleição.
No caso dos lulistas, há ainda a preocupação de que a repercussão das fraudes do Master afeta a imagem do governo, ao tirar a atenção sobre políticas anunciadas –como as para conter o preço dos combustíveis e o fim da "taxa das blusinhas"— e criar nos eleitores uma percepção de corrupção generalizada na política, que tende a afetar mais o governante.
Os dois lados afirmam também que há poucos instrumentos para pressionar Alcolumbre e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para desengavetar os pedidos. Há quatro requerimentos de CPI do Master engavetadas no Legislativo.
Mesmo a tática tradicional, de recorrer ao STF para forçar a abertura, não deu certo desta vez. Três pedidos aguardam decisão dos ministros há meses e outro já foi rejeitado. Entrar com um novo mandado de segurança, neste caso, seria mais uma ação política do que prática, embora não esteja descartado pela oposição uma nova ação.
A oposição também descarta, pelo menos por enquanto, fazer movimentos de obstrução nos plenários da Câmara e do Senado para forçar a criação da CPI. Um parlamentar do PL lembra que isso foi tentado para forçar a votação de um projeto para anistiar Bolsonaro e outros condenados pelos supostos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, sem efeito.
Já o governo não tem interesse em parar a pauta e travar as votações, que inclui projetos que são apostas de Lula para a eleição, como a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que acaba com a jornada de trabalho 6x1.
Em entrevista na GloboNews nesta quinta-feira (14), Flávio Bolsonaro negou que haja qualquer irregularidade em sua relação com o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Durante a entrevista, o pré-candidato a presidente comparou a repercussão das conversas dele com o dono do Banco Master a investimentos feitos por Vorcaro em outros projetos, além de questionar o tratamento dado ao episódio.
"Quando o Daniel Vorcaro, o banco dele, colocou R$ 160 milhões na Globo entre 2025 e 2026, era dinheiro sujo? É dinheiro sujo?”, questionou o senador aos jornalistas da GloboNews que o entrevistavam.
Flávio disse que o dinheiro investido pelo Master na Globo teria sido destinado ao programa do Luciano Huck. O senador perguntou se os jornalistas sabiam da origem do dinheiro do Banco Master.
“Vocês sabiam da origem desse dinheiro? Eu acho que não, que vocês agiram de boa-fé, como eu agi de boa-fé”, argumentou o candidato do PL.
Segundo o senador, o empresário teria investido no filme sobre Jair Bolsonaro esperando retorno financeiro, e não em razão de qualquer benefício político.
O publicitário Thiago Miranda confirmou à TV Globo que apresentou Flávio Bolsonaro a Vorcaro para viabilizar o patrocínio. O acordo total previa R$ 124 milhões para o filme, dos quais o dono do Banco Master pagou R$ 61 milhões, conforme noticiou o site The Intercept. Miranda afirmou que os repasses pararam logo que a crise no banco estourou.
Créditos: Folha SP, Bahia Notícias e Revista Oeste




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