Pai de Daniel Vorcaro, dono do Master, é preso pela PF por ameaçar adversários
- Jason Lagos
- há 20 horas
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A decisão da prisão de Henrique Vorcaro (D) foi do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça
Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, foi preso na manhã desta quinta (14) pela PF (Polícia Federal). Ele está sendo investigado por participar do grupo conhecido como "A Turma", usado pelo dono do Banco Master para ameaçar adversários e definida pela PF como "organização criminosa suspeita de praticar condutas de intimidação, coerção, obtenção de informações sigilosas e invasões a dispositivos informáticos".
Uma delegada foi afastada e pelo menos um agente da Policia Federal foi preso na mesma operação, sob a suspeita de integrarem o mesmo grupo. Foram cumpridos sete mandados de prisão, e mais 17 de busca e apreensão.
A decisão da prisão foi do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça.
Em nota, a PF afirma que "a Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (14), a 6ª fase da Operação Compliance Zero, com o objetivo de aprofundar as investigações em face de organização criminosa suspeita de praticar condutas de intimidação, coerção, obtenção de informações sigilosas e invasões a dispositivos informáticos".
Policiais federais cumprem sete mandados de prisão preventiva e 17 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e de Minas Gerais. Também foram determinadas ordens de afastamento de cargos públicos e de sequestro e bloqueio de bens.
Todos estão sendo investigados os crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, invasão de dispositivos informáticos e violação de sigilo funcional".
"A Turma", como o grupo se identificava no material apreendido pela Polícia Federal, conversou sobre "quebrar todos os dentes" do jornalista Lauro Jardim, de O Globo. A sugestão da sova foi dada pelo chefe e então dono do Master, Daniel Vorcaro, a Luiz Mourão, o "Sicário", apelido que remete a matadores de aluguel.
De acordo com as ordens de prisão decretadas pelo ministro André Mendonça em março, "Sicário" e um ex-policial também invadiam sistemas de órgãos federais, monitoravam e espionavam alvos do dono do banco e agiam para limpar a imagem pública da empresa financeira e de Vorcaro, por meio de pedidos forjados a plataformas digitais e pagamentos a editores por veiculações amistosas.
"Sicário" morreu logo depois de ser preso. A PF afirma que ele cometeu suicídio. Em março também foi preso preventivamente Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro suspeito de organizar pagamentos de "A Turma".
Henrique Vorcaro era um participante ativo da rede de movimentações financeiras do Master e do filho. Eles participavam juntos de empresas que, segundo as investigações, teriam sido usadas para ocultar patrimônio do esquema.
Uma empresa da família chamada Multipar movimentou mais de R$ 1 bilhão em cinco anos exclusivamente entre contas ligadas ao dono do Banco Master. O Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) identificou que a movimentação sugere uma tentativa de esconder o patrimônio.
A prisão de Henrique Vorcaro pressiona o ex-banqueiro a entregar uma delação premiada mais robusta. A avaliação é feita por investigadores do caso Master, segundo os quais o empresário tem resistido a apontar elementos novos.
Vorcaro decidiu priorizar as tratativas com a Procuradoria-Geral da República, não com a Polícia Federal. Ainda assim, não teria entregado elementos novos, apenas indícios ou fatos conhecidos pela investigação.
A Polícia Federal já pediu, inclusive, que Vorcaro retorne para a Penitenciária do Distrito Federal. O ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, ainda analisa a solicitação.
Créditos: Folha SP e CNN Brasil



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