Documento feito por mulher de Moraes para o Banco Master tem fortes indícios de IA e possível plágio
- Jason Lagos
- há 3 horas
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A estrutura do material reforça a impressão de que o manual seria uma compilação de regras existentes
O código de conduta elaborado para o Banco Master pelo escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes,apresenta indícios de uso de inteligência artificial e possível reaproveitamento de textos jurídicos já existentes.
Análises feitas por ferramentas de verificação de conteúdo — como AskGPT, Grammarly e Justdone — indicam que mais de 70% do material possui similaridade com outros documentos, incluindo trechos da Lei Anticorrupção, do Código Penal e normas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
O documento também reproduz termos e estruturas comuns em manuais de compliance de grandes instituições financeiras, como Itaú e Bradesco. Expressões típicas do setor, como “PLD-FT” (prevenção à lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo) e “transações com partes relacionadas”, aparecem no texto em formato praticamente idêntico ao usado em cartilhas regulatórias e documentos de auditoria.
O Código de Ética do Banco Master utiliza 15 imagens genéricas encontradas em buscas no Google. As fotos mostram cenas como apertos de mão e um documento falso com o selo “confidencial”. Essas imagens circulam em bancos de dados da Internet desde antes de 2025, ano da publicação do guia.
Para o capítulo sobre concorrência, o documento usou uma montagem de homens em escadas, publicada pela revista Forbes em 2018. A imagem pertence ao banco Shutterstock.
Já no capítulo sobre corrupção, o guia exibe a foto de um homem que recusa dinheiro. Esta imagem consta em um artigo de 2024 da Associação dos Bancos (Assban). O padrão de fotos genéricas se repete nas 34 páginas do documento.
A estrutura do material reforça a impressão de que o manual seria uma espécie de compilação de regras já existentes, reunindo trechos de legislação e recomendações regulatórias em um documento genérico. Especialistas ouvidos pela coluna de Lauro Jardim, de O Globo, classificaram o texto como uma espécie de “Frankenstein regulatório”.
Apesar disso, o trabalho fazia parte de um contrato que previa pagamentos de até R$ 129 milhões ao longo de três anos ao escritório de Viviane Barci de Moraes.
O dono do banco, Daniel Vorcaro, assina a carta de abertura do código. “A ética e a transparência são pilares fundamentais”, diz o texto. Atualmente, ele cumpre prisão em um presídio de segurança máxima em Brasília.
Para críticos do caso, o fato de o documento apresentar conteúdo amplamente disponível em legislações e cartilhas de compliance levanta questionamentos sobre qual teria sido, de fato, o serviço especializado prestado ao banco.
Segundo essa avaliação, a natureza genérica do material pode reforçar a suspeita de que a contratação tenha ocorrido não necessariamente pela complexidade técnica do trabalho, mas pela proximidade institucional com o ministro Alexandre de Moraes.
Créditos: O Globo




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