Dirigentes do INSS delataram Carlos Lupi, ex-ministro da Previdência de Lula
- Jason Lagos
- 27 de fev.
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Lupi (D) assumiu o ministério na posse de Lula em janeiro de 2023, e foi demitido em maio de 2025
O ex-ministro da Previdência Carlos Lupi (PDT) é citado na delação premiada dos ex-dirigentes do INSS André Fidelis e Virgílio de Oliveira Filho. Um dos anexos aborda a atuação do então ministro da Previdência no governo Lula no esquema de descontos ilegais nos benefícios de aposentados e pensionistas.
Lupi assumiu o ministério na posse de Lula (PT), em janeiro de 2023, e foi demitido pelo petista em maio de 2025, nove dias após a Polícia Federal deflagrar a primeira fase da Operação Sem Desconto, que resultou na prisão de integrantes da cúpula do INSS. À época, o ministro atuou para proteger investigados, o que arranhou a imagem do governo.
Enquanto ministro, Lupi chegou a defender publicamente o então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto. Segundo as apurações, Stefanutto recebia mesada de R$ 250 mil do esquema. Os pagamentos ocorreram, segundo a PF, de junho de 2023 e setembro de 2024, enquanto Lupi era ministro.
“A indicação do Stefanutto é de minha inteira responsabilidade. Doutor Stefanutto é um servidor que — até o presente momento — tem me dado todas as demonstrações de ser exemplar”, afirmou à época. Diante da resistência, coube ao próprio presidente Lula exonerar Stefanutto.
O ex-ministro também apadrinhou a indicação de Adroaldo Portal, um jornalista de formação que trabalhou por anos como assessor da bancada do PDT na Câmara dos Deputados.
Portal tornou-se o nº 2 do Ministério da Previdência após a queda de Lupi, e permaneceu no cargo até dezembro passado, quando foi alvo da PF na Sem Desconto. Ele teve a prisão domiciliar decretada.
Lupi era amigo pessoal da advogada Tônia Galleti, ex-coordenadora jurídica do Sindnapi, o Sindicato Nacional dos Aposentados e Pensionistas da Força Sindical. Familiares de dirigentes da entidade, inclusive de Tônia, receberam ao menos R$ 8,2 milhões da entidade.
Lupi também foi alertado diversas vezes sobre o crescimento dos descontos aplicados aos benefícios de aposentados e pensionistas, mas levou cerca de um ano para adotar qualquer providência.
Nesse ínterim, os valores descontados ilegalmente de aposentados saltaram de R$ 80,6 milhões para R$ 248,1 milhões.
O ex-procurador do INSS Virgílio Oliveira Filho e o ex-diretor de Benefícios da autarquia André Fidelis também citaram o filho mais velho do presidente Lula (PT), Fábio Luís Lula da Silva, e detalharam a participação de políticos na estrutura investigada.
Lulinha nega envolvimento com o esquema da Farra do INSS. Sua defesa disse ter pedido acesso a detalhes do caso.
O ministro André Mendonça, relator do caso no STF, determinou em janeiro a quebra dos sigilos fiscal, bancário e telefônico de Lulinha.
Além desses dois delatores, Edson Claro, ex-empregado do Careca do INSS, já detalhou para a Polícia Federal a relação entre Lulinha e seu antigo chefe. Ao contrário dos outros dois, Claro falou na condição de “colaborador”, ou seja, sem fazer delação. Ele não é acusado ou investigado.
As investigações sobre o eventual envolvimento de Lulinha levaram parlamentares da CPMI do INSS, nessa quinta-feira (26), a se agredirem fisicamente. A pancadaria ocorreu após a oposição aprovar quebra dos sigilos de Lulinha.
Segundo o relator da CPMI do INSS, o deputado Alfredo Gaspar (União-AL), André Fidelis foi o diretor que mais “concedeu acordo de cooperação técnica (ACT) da história do INSS”. Na gestão dele, foram habilitadas 14 entidades, que descontaram R$ 1,6 bilhão dos aposentados.
Créditos: Metrópoles



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