André Mendonça diz a aliados ver delação seletiva de Vorcaro e tem embate com advogado do ex-banqueiro
- Jason Lagos
- há 1 hora
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Deixar homologação para depois das eleições e aposta em acordo de Zettel estariam no radar do ministro
Os primeiros sinais da colaboração premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro frustraram o ministro-relator do caso no STF (Supremo Tribunal Federal), André Mendonça. O ministro relatou a interlocutores ver manipulação da defesa do banqueiro e seletividade de informações. Em consequência, teria passado a avaliar uma revisão de sua estratégia para o caso.
O ministro passou a apostar suas fichas na colaboração premiada de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e apontado como operador financeiro do esquema. Também preso durante investigações contra as fraudes do Banco Master, Zettel trocou sua equipe de defesa e mira conseguir fechar um acordo de delação premiada.
Outra estratégia seria atrasar o processo de homologação da delação de Vorcaro, podendo deixar a análise para depois das eleições. A avaliação é de que o ambiente político, extremamente contaminado e tensionado, prejudica uma delação fidedigna por parte do banqueiro.
A frustração com os sinais da delação foi objeto de uma discussão ríspida e em termos duros de Mendonça com o advogado de Vorcaro, José de Oliveira Lima, conhecido como Juca.
A tensão entre ambos fez voltarem, em Brasília, rumores de que a família de Vorcaro estaria cogitando uma mudança na defesa do banqueiro. Procurado, Juca disse que sua relação com Vorcaro é excelente e que essa informação nunca chegou até ele.
O magistrado está descontente com as informações já apresentadas à PF (Polícia Federal) e à PGR (Procuradoria-Geral da República) pelos advogados de Vorcaro. Os anexos da delação foram apresentados nesta quarta (6) às autoridades.
Mendonça acredita que as informações estão distantes do que já foi apurado pela PF em suas investigações contra o dono do banco Master. Não há, por exemplo, esclarecimentos sobre a relação de Vorcaro com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil -AP).
O ex-banqueiro chegou a se reunir com Alcolumbre na residência oficial do Senado, de acordo com diálogos dele com a ex-namorada Marta Graeff que estavam em um dos celulares apreendidos pela PF.
A Amprev (Amapá Previdência), gestora do regime próprio de previdência do estado, aplicou R$ 400 milhões em títulos de alto risco do banco. A instituição era comandada por Jocildo Silva Lemos, alvo da PF em fevereiro e afilhado político de Alcolumbre.
Caso Mendonça não aceite a delação de Vorcaro, a defesa dele pode recorrer à Segunda Turma do STF para, entre outras coisas, pedir a libertação dele.
Pessoas próximas ao ex-banqueiro sugeriram que ele não estaria disposto a envolver magistrados do STF em sua delação. Posteriormente, seus advogados afirmaram que ele não pouparia ninguém, o que destravou a fase inicial da negociação.
Atualmente, os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli estão no centro de suspeitas devido às menções e conversas identificadas no celular do ex-banqueiro. Ambos negam qualquer irregularidade
Créditos: CNN Brasil e Folha SP




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