Delação à vista: Daniel Vorcaro deve citar grandes empresários e presidentes de partidos
- Jason Lagos
- há 13 horas
- 3 min de leitura

Dos três advogados que hoje representam o agora ex-banqueiro, dois são contrários à delação
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro cogita firmar um acordo de delação premiada com a Polícia Federal (PF). Ele sabe que dificilmente escapará ileso das investigações relacionadas ao escândalo do Banco Master e, por essa razão, busca estratégias que possam reduzir eventual tempo de prisão.
A possibilidade de delação gera discórdia na defesa. Dos três advogados que hoje representam Vorcaro, dois são contrários à delação. O motivo: entre os nomes que poderiam ser citados pelo ex-banqueiro estão grandes empresários e presidentes de partidos, alguns deles clientes desses mesmos advogados.
Esse conflito de interesses tende a provocar mudanças na equipe jurídica de Vorcaro. Caso o ex-banqueiro decida avançar com a colaboração, cenário que interlocutores consideram provável, ao menos um dos advogados deve deixar o caso. A expectativa é que novos profissionais assumam a condução da defesa e passem a negociar diretamente os termos do acordo.
As investigações sobre o Banco Master já revelaram uma rede de relações que envolvia agentes do mercado financeiro, autoridades e operadores políticos. Diversas reportagens mostram que a instituição financeira mantinha trânsito no Executivo, no Legislativo e no Judiciário.
Entre os episódios que ampliaram a repercussão do caso está a revelação de um contrato de cerca de R$ 130 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O acordo previa pagamentos mensais superiores a R$ 3,5 milhões por três anos, para serviços de consultoria junto a órgãos como Banco Central, Receita Federal e Congresso.
As investigações também alcançaram autoridades do Banco Central. Dois ex-dirigentes da instituição são suspeitos de fornecer informações e orientação regulatória ao banco enquanto ainda ocupavam cargos no órgão.
Além disso, a PF apura a relação de Vorcaro com empresários do setor financeiro e operadores ligados a outras instituições bancárias. Um dos nomes citados nas investigações é o empresário Nelson Tanure, alvo de mandados de busca e apreensão no mesmo inquérito.
O colapso do Banco Master já é considerado um dos maiores escândalos financeiros recentes do país, com prejuízos estimados em dezenas de bilhões de reais e mais de 1 milhão de investidores afetados.
Relatórios da PF mostram que o banco teria inflado artificialmente ativos e emitido títulos de crédito sem lastro para sustentar operações financeiras. A expectativa entre investigadores é que, pressionado pelo avanço das apurações e pelo risco de condenações pesadas, Vorcaro decida revelar detalhes sobre as relações políticas, empresariais e institucionais que cercaram o crescimento do banco.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça recebeu, neste final de semana, um pedido de autorização para que a primeira conversa entre o banqueiro Daniel Vorcaro e seus advogados seja feita sem gravação. O ministro ainda não havia se manifestado sobre o pedido até a noite deste domingo (8) – o processo tramita sob segredo de Justiça.
Os advogados do banqueiro alegam que não conseguiram ter uma conversa reservada com seu cliente desde a prisão provisória de Vorcaro, na última quarta-feira (4). Tal medida seria necessária para que as partes possam discutir as estratégias da defesa nesta fase das investigações da Operação Compliance Zero.
Dentro do sistema penitenciário federal, como é a prisão para onde o banqueiro foi transferido, a gravação em áudio e vídeo das conversas entre detentos e advogados é um procedimento comum.
Créditos: Revista Oeste e Gazeta do Povo



Comentários