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Aliados de Flávio Bolsonaro veem abalo de confiança por elo com Vorcaro e temem mais acusações

  • Foto do escritor: Jason Lagos
    Jason Lagos
  • há 21 horas
  • 3 min de leitura

A falta de alerta aos aliados, mesmo que em um grupo restrito, também atrasou a reação da campanha


A revelação de conversas e uma relação de intimidade entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, após o pré-candidato dizer publicamente e reservadamente para líderes de direita que não tinha contatos com o dono do Banco Master, causou uma sensação de quebra de confiança entre seus apoiadores.


Políticos ouvidos pela Folha afirmam que o clima é de apreensão por causa da expectativa de que novos diálogos possam surgir contra o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).


Na avaliação de lideranças do PL, o pedido de financiamento para o filme "Dark Horse", revelado pelo site The Intercept Brasil, é algo de menor gravidade e possível de ser contornado se comparado com o caso do senador Ciro Nogueira (PP-PI). O parlamentar foi alvo na semana passada de uma operação da PF, sob suspeita de ter recebido R$ 300 mil mensais para defender o banco no Congresso. Ele nega.


O problema, avaliam seus aliados, foi Flávio ter dito para os próprios correligionários e também publicamente que não tinha nenhuma relação com Vorcaro. O áudio revelado mostra o pré-candidato chamando o dono do Master de "irmão".


Se tivesse avisado do pedido de financiamento para o filme, seus aliados dizem que poderiam ter no mínimo preparado um discurso para reação rápida caso a delação fosse revelada. Os correligionários reclamam que foram pegos desprevenidos.


Um deputado do PL afirma reservadamente que Flávio deveria ter se antecipado quando o escândalo do Master estourou e falado de antemão que havia firmado um trato com Vorcaro para financiar o filme, mas que agia de forma transparente ao revelar o contrato —o que esvaziaria as acusações.


A falta de alerta aos aliados, mesmo que num grupo mais restrito, também atrasou a reação da campanha à denúncia e dificultou uma resposta mais coordenada nas redes, o que ampliou o desgaste da pré-candidatura e levantou mais suspeitas de irregularidades.


Por enquanto, com base na revelação atual de que Flávio pediu recursos e recebeu R$ 61 milhões de Vorcaro para financiar o filme, a avaliação interna é de que o caso provocará desgaste eleitoral, mas pode ser esquecido até outubro, principalmente pelo provável envolvimento de outros políticos no escândalo.


O clima é de manutenção da pré-campanha de Flávio e, internamente, não se cogita uma mudança na chapa. Entre parlamentares da base bolsonarista sem tanto vínculo com a cúpula, no entanto, a percepção é de que novas revelações podem abalar a pré-candidatura e forçar o PL a uma substituição, sob risco dos votos da direita migrarem para outros candidatos do campo conservador, como o ex-governador Romeu Zema (Novo).


Zema até então poupava Flávio e concentrava suas críticas no centrão ou no STF (Supremo Tribunal Federal) enquanto era cotado como vice. Nesta quarta (13), após a revelação das conversas, o ex-governador mineiro afirmou que a atitude do senador era "imperdoável" e "um tapa na cara dos brasileiros de bem".


Ronaldo Caiado (PSD) afirmou que Flávio precisa se explicar sobre a relação com Vorcaro, mas depois gravou um vídeo "fazendo uma reflexão", defendendo que a centro-direita não pode se dividir e que o "fundamental é derrotar o PT e o Lula" no segundo turno da eleição.


Os aliados do senador minimizam a situação, afirmando que não há ilegalidade no pedido de financiamento e que o caso não envolveu dinheiro público nem houve contrapartidas a esse aporte de recursos. Eles dizem que o Master operava com aval do Banco Central e que, na época, a toxicidade de Vorcaro não era conhecida.


Integrante do grupo de deputados do PL encarregado de promover a campanha de Flávio nas redes, Carlos Jordy (RJ) diz que a crise não deve atrapalhar a eleição. "Não há ilegalidade em pedir um financiamento, principalmente quando não se tem acesso à Lei Rouanet. Lula e [Michel] Temer também tiveram filmes financiados por Vorcaro", disse à Folha.


No segundo semestre de 2025, pessoas ligadas ao deputado federal Mário Frias (PL-SP), principal responsável pela obra, "passaram o chapéu" junto a representantes do setor privado simpáticos ao bolsonarismo, para pedir ajuda.


Um deles relatou ter recebido um pedido de US$ 10 milhões (R$ 50 milhões), mas rejeitou a oferta pelo alto valor e falta de segurança de que o investimento daria retorno.


A oferta incluía participação no faturamento do filme, que foi estimado em R$ 300 milhões, juntando cinemas e streaming.



Créditos: Folha de SP

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