Com Flávio, Eduardo e aliados, direita amplia discurso bolsonarista nos EUA

Os brasileiros do grupo que já estão nos EUA orbitam em torno do secretário de Estado Marco Rubio
A fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos, após a derrota na disputa presidencial, consolidou a atuação do bolsonarismo a partir do exterior.
Derrotado no segundo turno das eleições brasileiras, Flávio passou a se articular ao lado dos deputados federais cassados Eduardo Bolsonaro (PL) e Alexandre Ramagem (PL), além do jornalista Paulo Figueiredo e de outras figuras, como Allan dos Santos, todos já baseados em território norte-americano.
Jornalista, empresário e comentarista político, Paulo Figueiredo mora nos EUA e atua como intermediário entre a família Bolsonaro e setores políticos norte-americanos.
Desde 2025, participa de iniciativas de interlocução com autoridades dos EUA e defende medidas de pressão contra o governo Lula e integrantes do STF. Entre as iniciativas apoiadas pelo grupo, estão sanções contra autoridades e medidas comerciais adotadas durante a escalada de tensões entre os dois países.
Figueiredo também utiliza suas plataformas digitais para divulgar mensagens da família Bolsonaro e ampliar o alcance do discurso do grupo no exterior. Foi ele quem divulgou a carta de Flávio nessa quarta.
Os brasileiros do grupo que já estão nos EUA orbitam em torno do secretário de Estado Marco Rubio. De ascendência direta cubana, ele é ferrenho opositor de governos de esquerda e de imigrantes. É um dos maiores defensores do regime de sanções a outros países imposto pelo governo Donald Trump.
No início da administração Trump, o presidente chegou a justificar sanções impostas ao país e a autoridades brasileiras como resposta ao tratamento que vinha sendo dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). À época, o político vinha sendo julgado por golpe de estado e, no fim, acabou condenado a mais de 27 anos de prisão.
O movimento ganhou contornos mais claros nesta quarta-feira (28), quando Flávio divulgou uma carta na qual se autodeclara “o verdadeiro presidente eleito do Brasil” – o que foi corrigido algum tempo depois.
No documento, ele agradece ao presidente argentino, Javier Milei, ao presidente dos EUA, Donald Trump, e ao povo norte-americano pelo acolhimento no país.
Porém, assim como em 2022, a família Bolsonaro voltou a classificar, sem apresentar provas, o resultado das eleições de 2026 como “fraude eleitoral“, lançando dúvidas sobre as urnas eletrônicas.
No texto, Flávio atribui a derrota a uma irregularidade relacionada à decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de estender o horário de votação até as 19h.
O resultado da eleição, porém, foi reconhecido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pela comunidade internacional e pela própria oposição, incluindo o PL e o vice da chapa de Flávio, deputado Alfredo Gaspar (União-AL).
Questionado sobre o documento, Donald Trump disse que não pretende se “envolver” na situação do senador, mas voltou a levantar dúvidas, sem provas, sobre a legitimidade do pleito brasileiro.
"Sei que demos a ele autorização para entrar no país; veremos o que acontece", disse ele a repórteres antes de partir para Ohio. O presidente acrescentou que não vai se envolver, ressaltando que a eleição brasileira foi "muito estranha". Trump afirmou acreditar que Flávio e sua família foram "maltratados", insistindo, contudo, que não participou da disputa eleitoral.
Apesar da tentativa de reorganização do bolsonarismo em torno de Flávio nos Estados Unidos, não se sabe até que ponto isso terá efetividade no Brasil, até mesmo porque o senador não terá mais mandato a partir do ano que vem.
Além disso, a própria direita começa a pensar em alternativas de olho em 2030. Algumas figuras começam a citar o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como o principal nome para ser lançado à Presidência.
Créditos: Metrópoles e CNN Brasil




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