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Bolsonaro deve divulgar lista de candidatos que apoia para sanar disputas internas

  • Foto do escritor: Jason Lagos
    Jason Lagos
  • há 9 horas
  • 2 min de leitura

A lista serviria como orientação para resolver disputas internas do bolsonarismo em alguns estados


O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deve divulgar uma lista com os nomes dos pré-candidatos que vai apoiar nas eleições de outubro, já que cumpre prisão domiciliar e está impedido de participar das campanhas políticas dos aliados.


De acordo com pessoas próximas a Bolsonaro, a ideia é indicar ao menos os pré-candidatos ao Senado do PL, mas a divulgação pode se estender aos pré-candidatos aos governos estaduais e até a nomes de outros partidos que tenham o aval do ex-presidente.


Até agora, o PL tem alianças em 22 estados, segundo a coordenação da pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).


No momento em que Bolsonaro está isolado da vida política, a lista serviria como orientação para resolver disputas internas do bolsonarismo em alguns estados. Parte dessas rivalidades envolve nomes que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) pretende emplacar enquanto presidente do PL Mulher.


A estratégia é delimitar as opções de voto de bolsonaristas para evitar que os eleitores escolham outros pré-candidatos de oposição que não os abençoados pelo clã —o que um interlocutor do ex-presidente chamou de "caroneiros".


Um acordo da cúpula do PL estabeleceu que Bolsonaro iria escolher os candidatos do partido ao Senado, enquanto o presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, definiria os nomes aos governos —o que vem sendo feito desde a janela partidária, em março, e só deve terminar nas convenções, entre julho e agosto.


Neste ano, estão em jogo 54 das 81 cadeiras do Senado, portanto cada estado escolhe dois representantes. O objetivo de Bolsonaro é eleger até 35 senadores aliados e, com os parlamentares que estão em meio de mandato, alcançar maioria necessária para promover impeachment de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).


A prisão de Bolsonaro, condenado a mais de 27 anos por tentativa de golpe de Estado, dificultou seu papel na articulação política de Flávio e do PL. Até o fim de março, quando passou pela prisão domiciliar, pela Polícia Federal e pela Papudinha, o ex-presidente podia receber visitas e era procurado por pré-candidatos em busca de apoio. Nessas reuniões, eles discutiam o cenário eleitoral de cada Estado.


Depois de ser internado com pneumonia, Bolsonaro foi autorizado pelo ministro do STF Alexandre de Moraes a cumprir pena em casa, porém mais isolado. O ex-presidente só pode ter contato com Michelle, os filhos, seus médicos e advogados.


A lista de Bolsonaro é vista como uma forma de externar a vontade do ex-presidente em relação às eleições, o que antes era transmitido por ele diretamente aos seus escolhidos.



Créditos: Folha SP

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