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Ataques marcam 1º debate na TV entre Lula e Flávio; veja principais pontos

Foto do escritor: Jason Lagos
Jason Lagos
há 2 dias
5 min de leitura

No último bloco, integrantes dos grupos protagonizaram discussões que interromperam as falas finais


O senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, se enfrentaram neste domingo (18), em debate presidencial da TV Bandeirantes marcado por troca de ataques, a uma semana do segundo turno da eleição.


O evento foi o primeiro confronto entre os candidatos, líderes nas pesquisas de intenção de voto, nestas eleições. A votação que definirá quem governará o país pelos próximos quatro anos será realizada em 25 de outubro.


O debate também teve confusão envolvendo as duas comitivas. No último bloco, integrantes dos grupos protagonizaram discussões que interromperam as considerações finais dos candidatos.


No início do primeiro bloco do debate, Flávio questionou Lula sobre as acusações feitas por Roberta Luchsinger contra o presidente em entrevista à CNN Brasil. “Lula, você conhece Roberta Luchsinger? Fez acusações graves contra você ontem (dia 17)”, afirmou o senador.


Flávio também cobrou explicações sobre a declaração de Lula de que não conhecia a empresária. “Você disse que não conhecia, tem a oportunidade de corrigir sua resposta”, disse.


O presidente respondeu: “A Roberta é uma questão da Polícia Federal, e a Polícia Federal vai cuidar”.


Na sequência, Flávio acusou Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, de ser sócio de Luchsinger. Lula rebateu associando a empresária ao Careca do INSS, a quem apontou como sócio do adversário.


Lula reagiu mencionando Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, que está nos Estados Unidos, e o acusou de atuar contra os interesses brasileiros. “O seu irmão está fugido nos Estados Unidos, tramando contra o Brasil. Tramando contra o Brasil, pedindo intervenção do Trump no Brasil”, afirmou o presidente.


Lula também acusou a família Bolsonaro de trair o país e disse que seus integrantes deverão responder por suas ações. “O que vocês estão fazendo é trair a pátria. E vocês serão julgados por isso”, declarou.


Flávio voltou a atacar Lula, acusando-o de mentir e proteger o filho. “Você mente com uma desenvoltura na frente das câmeras e, por trás das câmeras, você protege o seu filho”, afirmou.


Lula questionou Flávio sobre os R$ 134 milhões que pediu ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. "Para ajudar seu irmãozinho?", perguntou o presidente. Flávio respondeu o presidente citando supostos R$ 30 milhões que teriam sido destinados por Vorcaro ao Instituto Lula.


O senador também cobrou explicações sobre uma reunião que teria acontecido entre o presidente, Vorcaro, o então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.


Lula respondeu que Vorcaro se tornou banqueiro durante o governo de Jair Bolsonaro e, na sua gestão, se tornou prisioneiro. O presidente também atribuiu ao empresário um golpe de R$ 60 bilhões no sistema financeiro do país.


Na área de segurança pública, Flávio Bolsonaro voltou a dizer que pretende, caso eleito, classificar facções criminosas como o CV (Comando Vermelho) e o PCC (Primeiro Comando da Capital) como organizações terroristas.


Já Lula defendeu, caso seja reeleito, federalizar a segurança pública. O chefe do Planalto disse que a segurança pública é de responsabilidade dos estados, mas que eles "fracassaram".


O candidato do PL questionou o atual presidente e candidato à reeleição sobre os direitos envolvendo criminosos que foram presos e criticou o indulto natalino. O petista, por outro lado, defendeu a prática caso a pessoa não tenha cometido "crimes muito violentos" ou hediondos.


A condução da pandemia voltou ao centro das críticas de Lula, que mencionou as mortes por Covid-19 e atacou a atuação dos ministros da Saúde de Jair Bolsonaro: “Um mais mequetrefe que o outro”. Flávio reconheceu que a saúde não foi a melhor área do governo do pai, mas defendeu seu trabalho durante a emergência sanitária.


O senador afirmou que pretende levar ao SUS (Sistema Único de Saúde) o padrão de atendimento do Hospital Israelita Albert Einstein, referência na rede privada. “Eu quero colocar padrão Einstein no SUS, aquele mesmo atendimento com tecnologia, com médicos, com hora marcada, sem fila, que tem na rede privada. Eu quero levar para o SUS”, afirmou Flávio.


O presidente rebateu a proposta e questionou se o adversário pretende privatizar o sistema público de saúde. “Será que ele quer privatizar o SUS? Será que ele quer privatizar o SUS? É isso que eu entendi”, questionou.


Lula questionou Flávio Bolsonaro sobre a proximidade dele com o presidente da Argentina, Javier Milei, e se ele pretende adotar o modelo econômico do país em uma possível eleição no Brasil.


Flávio, por outro lado, citou a relação do petista com o ditador da Nicarágua, Daniel Ortega, e com o ditador deposto da Venezuela, Nicolás Maduro.


Ao falarem sobre corrupção, o petista desafiou Flávio a abrir seus sigilos bancário e telefônico.


"Eu desafio você, os Bolsonaro e eu, amanhã, abrirmos nossa conta bancária, abrirmos nosso sigilo para que o povo brasileiro saiba quem é ladrão nesse país", disse Lula, que estendeu o desafio aos familiares de ambos os candidatos.


Flávio respondeu que não tem "nada a esconder". "Eu não tenho absolutamente nada a esconder. Só que a questão, Lula, é que o seu dinheiro é por fora sempre. Não está na sua conta, está em algum outro lugar", rebateu.


Nas considerações finais, marcada por confusão, Lula agradeceu aos brasileiros “pela continuidade da democracia nesse país”. Sua fala foi interrompida por uma discussão depois que Flávio passou atrás dele.


Ao retomar, o presidente afirmou ter recuperado a economia e a indústria, acusou o adversário de querer privatizar a Petrobras e criticou a privatização da Eletrobras.


Flávio também teve sua fala interrompida após reclamar do barulho da plateia, após gritos, ele retomou a fala.


O senador criticou os três mandatos de Lula e declarou: “Jamais vou prometer o que não posso cumprir”. Prometeu colocar a população no centro do governo, reiterou o compromisso com a segurança pública e agradeceu os votos recebidos no primeiro turno.


Do ponto de vista eleitoral, é possível que nenhum dos 2 tenha perdido votos por causa do encontro. Tampouco há sinais evidentes de que algum deles tenha conseguido conquistar uma vantagem relevante. Em uma eleição acirrada, no entanto, sair sem prejuízos pode ser um resultado importante –sobretudo para quem lidera as pesquisas, como é o caso de Flávio.


Há também um componente de imagem que merece atenção. Aos 80 anos –Lula completa 81 em 27 de outubro–, o presidente pareceu, em alguns momentos, mais nervoso do que o habitual. Elevou o tom de voz e gesticulou mais do que seria necessário. Na 1ª fala, esqueceu-se de cumprimentar os telespectadores. Depois, ao se dirigir à câmera, aproximou-se tanto que saiu da iluminação adequada do estúdio.


Flávio, de 45 anos, pareceu mais calmo, apesar de ser o 1º grande debate de sua carreira como candidato à Presidência. Demonstrou ter treinado a linguagem corporal e procurou se posicionar ao fundo do enquadramento, permanecendo visível enquanto Lula falava.



Créditos: CNN Brasil e Poder360

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