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Flávio mobiliza aliados para conter desgaste com episódio do Bolsa Família

Foto do escritor: Jason Lagos
Jason Lagos
há 11 minutos
3 min de leitura

A reação acontece em meio à rodada final de viagens e às vésperas do último debate entre os candidatos


A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) tenta afastar o temor de cortes no Bolsa Família depois que declaração da coordenadora econômica, Daniella Marques, deu aos adversários nova oportunidade para questionar quais despesas o senador pretende reduzir caso seja eleito presidente.


O desgaste chega na semana em que os beneficiários começam a receber o reajuste concedido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), adversário de Flávio no segundo turno, que ocorrerá no domingo (25).


O candidato do PL foi às redes negar que pretenda limitar a dois anos o recebimento do benefício pelas famílias e afirmou que o prazo se aplicaria a quem conseguisse emprego ou abrisse negócio. Hoje esse prazo é de um ano.


Além disso, durante os dois anos, o beneficiário receberá um acréscimo de duzentos reais no seu bolsa família.


A reação acontece em meio à rodada final de viagens e às vésperas do último debate entre os candidatos. Na quarta (21), Flávio deve passar por São Paulo e pelo Ceará, onde aliados trabalham para ampliar sua votação.


Depois, deverá bloquear a agenda e ficar no Rio de Janeiro a fim de se preparar para o confronto da TV Globo, na próxima sexta-feira (23). O senador deve encerrar a campanha no sábado (24), com agendas em Minas Gerais e no Rio.


Enquanto se dedica à reta final das eleições, o senador deve, segundo aliados, reforçar falas em defesa de programas sociais, em uma tentativa de manter e ampliar o apoio de eleitores que dependem da assistência do governo.


Aliados do filho mais velho de Jair Bolsonaro avaliam que o tema já era uma “pedra no sapato” da campanha, que sofre ataques do adversário por não explicar as suas promessas econômicas e por não deixar claro como se dará a proposta de um corte de R$ 200 bilhões nas contas públicas. A entrevista de Daniella à CBN Bahia, na segunda (19), ampliou essa dificuldade.


Na avaliação de membros da campanha, ao falar sobre a proposta de transição, a coordenadora econômica de Flávio abriu espaço para que governistas tratassem o prazo como uma ameaça à continuidade dos pagamentos.


Aliados do senador relataram desconforto com a entrevista e disseram, em reserva, que a ex-presidente da Caixa não foi clara ao explicar a sua proposta.


O PT, por exemplo, vinculou a fala à promessa de Flávio de cortar R$ 200 bilhões em despesas públicas, dizendo que os cortes atingiriam programas sociais. A falsa associação entre cortes de despesa e o bolsa família, que acompanha Flávio Bolsonaro desde o início da campanha, é combatida pelo entorno do senador.


Flávio publicou um vídeo nas redes para rebater as falas. O candidato disse que o pagamento continuaria por até dois anos após a obtenção de emprego ou a abertura de uma empresa. Também prometeu o retorno ao programa no mesmo dia caso a pessoa fosse demitida ou o negócio não desse certo.


Pelas regras atuais, conseguir um emprego formal não provoca, por si só, o desligamento. As famílias que ultrapassam o limite de renda podem continuar recebendo metade do benefício durante um período, dentro dos critérios do programa. Também há previsão de retorno para famílias que voltem à pobreza.


A preocupação com um eventual desgaste aumenta com a chegada do reajuste aos beneficiários. O governo Lula aumentou os benefícios em 15%, e os pagamentos começaram nesta semana.


O entorno de Flávio conta com o apoio de aliados eleitos e influentes nas redes sociais para rebater e divulgar as falas do senador sobre o Bolsa Família. O PL tem pedido a seus membros para reforçar a divulgação de propostas do senador e veicular a imagem do candidato nas redes.



Créditos: Metrópoles



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