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Centrão quer aliança com a esquerda para conter o bolsonarismo e manter Motta no comando da Câmara

Foto do escritor: Jason Lagos
Jason Lagos
há 12 horas
3 min de leitura

A permanência de Hugo Motta no cargo é vista como forma de garantir a “autonomia do Parlamento”


Partidos de centro e centro-direita intensificaram nas últimas semanas as articulações para manter o deputado federal Hugo Motta (Republicanos-PB) na presidência da Câmara e preservar o controle do grupo sobre a agenda de votações no Legislativo.


Diante do veto do PL a Motta, líderes do bloco esperam atrair o PT e outras siglas de esquerda para a aliança, em uma estratégia para manter a autonomia do Legislativo em relação ao Executivo, sobretudo no cenário em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) seja eleito presidente.


O PL elegeu 121 deputados federais, superando o recorde do MDB em 1990, na primeira eleição desde a redemocratização. O avanço da sigla comandada por Valdemar Costa Neto se deu em meio ao encolhimento de legendas do núcleo duro do Centrão e de outras siglas que se identificam como de centro, caso do MDB e PSD. O recuo global chegou a quase 30 assentos – de 284 passou para 257.


Integrantes do Centrão avaliam que o resultado das urnas reforça a necessidade de união das legendas para conter o avanço do bolsonarismo no Legislativo. A intenção é atuar como uma espécie de “poder moderador”, independentemente de quem vencer a disputa presidencial. Uma eventual vitória de Flávio, porém, é vista com mais atenção, já que o PL será a maior força do Congresso.


O primeiro movimento para viabilizar a reeleição de Motta ocorreu na semana retrasada, quando o deputado federal reeleito Antonio Brito (PSD-BA), líder do PSD na Câmara, comunicou ao presidente da Casa que não pretende disputar o cargo. A decisão abriu caminho para que o partido apoiasse a recondução de Motta.


A legenda de Gilberto Kassab é vista como a fiel da balança na disputa. Em 2024, Brito lançou sua candidatura à presidência da Câmara, mas desistiu em favor de Motta. Havia dúvidas sobre a possibilidade de ele voltar a concorrer no próximo ano, já que o PSD não declarou apoio a nenhum dos candidatos à Presidência e o deputado transita tanto entre governistas quanto entre bolsonaristas. Uma nova candidatura poderia representar uma pedra no caminho de Motta.


Com a sinalização de Brito, Motta se reuniu com Kassab e com a bancada do PSD e fez gestos para contemplar os interesses da legenda, como a promessa de colocar em discussão mudanças no sistema eleitoral.


Com o apoio do PSD encaminhado, Motta reuniu, na última quarta-feira, 14, representantes do Centrão para discutir os próximos passos da articulação. O bloco tem 271 deputados e reúne União Brasil, PP, PSD, Republicanos, MDB, Podemos e a federação PSDB-Cidadania. Após o encontro, os partidos divulgaram uma nota anunciando a manutenção do bloco e manifestando apoio à recondução de Motta.


A permanência de Motta no cargo é vista como forma de garantir a “autonomia do Parlamento”, independentemente de quem vencer a eleição presidencial. No encontro, afirma a fonte, os líderes e presidentes de partidos defenderam o fortalecimento das legendas de centro para assegurar o controle da agenda do País e evitar que ela fique nas mãos dos “extremos”.


Três líderes partidários afirmaram reservadamente ao Estadão que Flávio já comunicou ao Republicanos que o PL tem veto ao nome de Motta, mas estaria aberto a apoiar outra liderança da sigla, como o presidente do partido, Marcos Pereira (SP). A resistência se deve ao fato de Motta ter apoiado a reeleição de Lula e atuado como aliado do Planalto.


No almoço com os dirigentes, Marcos Pereira reiterou seu apoio a Motta. Mesmo outros líderes de partidos entendem que o atual presidente da Câmara é considerado o nome mais viável por estar sentado na cadeira e dispor de mais instrumentos para articular sua própria reeleição.



Créditos: Estadão



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