Vorcaro revela pagamento para documentário sobre Lula por privilégios no governo

Segundo o relato de Vorcaro, a negociação foi intermediada pelo ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto
Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, afirmou em relatos apresentados às autoridades que teria destinado dinheiro ao Instituto Lula e financiado a produção de um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em uma negociação que, segundo ele, envolvia a liberação de investimentos de fundos de pensão de estatais para a instituição financeira. As informações foram publicadas pela revista VEJA.
Segundo o relato de Vorcaro, a negociação foi intermediada pelo ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e envolveu o então CEO do Master, Augusto Lima, além de pessoas ligadas ao ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha.
O banqueiro afirma que o acordo previa o pagamento de aproximadamente R$ 30 milhões em dinheiro vivo para despesas de um documentário sobre Lula gravado no exterior, além de outros valores destinados ao Instituto Lula.
O ex-banqueiro também relatou nos áudios a cobrança de uma comissão de 10% sobre os recursos que o Master conseguisse captar junto a fundos de previdência de servidores públicos.
O material foi incluído em uma proposta de delação encaminhada à Procuradoria-Geral da República (PGR) em junho de 2026. O órgão não deu prosseguimento ao caso, sob a justificativa de que não haveria provas dos pagamentos, que teriam sido realizados em espécie.
A defesa de Vorcaro, por sua vez, sustentou que existiriam mensagens, registros de saques e informações sobre as pessoas e os trajetos utilizados nas entregas do dinheiro.
De acordo com o anexo apresentado à PGR, a aproximação entre o Banco Master e o PT teria sido articulada por Augusto Lima, com a participação de integrantes do partido na Bahia. O primeiro contato teria ocorrido com João Vaccari Neto, que, conforme o relato de Vorcaro, teria condicionado o acesso aos fundos de pensão a pagamentos antecipados.
No documento, o banqueiro descreveu a suposta negociação:
“O meu então sócio, Augusto Lima, através dos caciques do PT da Bahia, se reuniu com João Vaccari Neto. Nesse primeiro encontro ficou aventado que, para que houvessem votos suficientes para o nosso credenciamento junto aos fundos de pensão do Banco do Brasil, Caixa Asset e Previ, deveríamos fazer os seguintes adiantamentos: um pagamento por fora, ou seja, por espécie, na ordem de aproximadamente 30 milhões de reais para cobrir despesas de um documentário no exterior que estava sendo gravado sobre o Lula, e pagamento de valores ao Instituto Lula”.
O documentário mencionado é Lula, dirigido por Oliver Stone, que reúne depoimentos de amigos e aliados do presidente, entre eles o advogado Walfrido Warde.
Além dos valores relacionados ao filme e ao Instituto Lula, Vorcaro afirmou que Vaccari teria exigido uma comissão de 10% sobre os recursos captados pelo Master junto aos fundos de previdência da Caixa, do Banco do Brasil, da Petrobras e dos Correios.
Na avaliação apresentada pelo banqueiro, caso a operação tivesse sido concluída, os repasses ao grupo político poderiam chegar a R$ 1 bilhão, enquanto o banco obteria R$ 9 bilhões.
O audio revelado pela Revista Veja também trata do financiamento do documentário e da comparação com o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, que teria recebido mais de R$ 60 milhões do banqueiro.
Ao comentar a diferença entre os dois financiamentos, Vorcaro teria afirmado: “O filme do Lula eu coloquei acho que até mais (que o filme de Bolsonaro). Eu acho que dá até mais. Só que o do Lula foi por fora, foi errado. O do Flávio não foi, porque foi patrocínio, foi patrocínio normal”.
Na documentação, Vorcaro também cita Alexandre Padilha, então ministro da Secretaria de Relações Institucionais, o secretário-executivo da pasta, Olavo Noleto, e dois operadores que, conforme o relato, teriam atuado para aproximar o banco dos gestores dos fundos de pensão.
O banqueiro afirmou que, entre o fim de 2023 e o início de 2024, organizou uma equipe no Master para buscar negócios com fundos de previdência federais. Nesse processo, disse ter recebido propostas que classificou como cobranças de propina.
Créditos: Revista Veja




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