Visto cancelado de embaixadora piora relação diplomática entre Brasil e EUA
- Jason Lagos
- há 5 dias
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Não está claro como a decisão dos EUA afetará a manutenção da diplomata no posto em Washington
A revogação do visto da embaixadora Maria Luiza Viotti, chefe da Embaixada do Brasil nos Estados Unidos, pegou o Itamaraty de surpresa. E, com isso, mostrou como o futuro das relações diplomáticas entre Brasília e Washington caminha para cenário de incertezas nos próximos meses, às vésperas das eleições brasileiras.
Viotti, que chefia a representação brasileira nos EUA desde 2023, teve o visto cancelado devido à demora do Ministério das Relações Exteriores em conceder o aval a Daniel Perez para assumir o cargo de embaixador norte-americano no Brasil.
Ao explicar a decisão, o Departamento de Estado dos Estados Unidos alegou ter mantido “comunicação constante com o governo brasileiro” sobre o assunto. Após semanas de negociações, no entanto, o órgão acusou a diplomacia do Brasil de criar obstáculos para a efetivação do embaixador no cargo. Ele foi nomeado por Trump em 1º de junho.
Diante do quadro, o governo dos EUA afirma que o visto de Viotti só será restabelecido caso a diplomacia de Lula aceite Perez como embaixador dos EUA no Brasil.
Para fontes da diplomacia norte-americana ouvidas sob condição de reserva, a relutância do Brasil em aceitar o agrément de Perez — como o aval é chamado na diplomacia — é vista como uma tentativa de interferência nos “processos internos” dos EUA.
Apesar da revogação do visto, a embaixadora do Brasil nos EUA pode permanecer no país. O que muda é que, a partir de agora, Viotti precisará solicitar nova permissão de viagem caso deixe o território norte-americano.
Até o momento, não está claro como a decisão do governo Trump afetará a manutenção da diplomata no posto em Washington. No entanto, se ela deixar o posto e o aval de Perez não for concedido, as relações diplomáticas entre Brasília e Washington podem ser automaticamente rebaixadas.
Desde janeiro de 2025, a Embaixada dos EUA no Brasil está sem titular, o que é visto como um sinal de enfraquecimento de laços diplomáticos entre os dois países.
O mesmo pode acontecer na Embaixada do Brasil em Washington, deixando as duas representações nas mãos de diplomatas de menor escalão.
A revogação do visto de Viotti não é o primeiro caso desde que Trump reassumiu o poder nos EUA. Atualmente, diversas autoridades brasileiras estão proibidas de entrar no território norte-americano, entre elas integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) e ministros do governo Lula.
Em julho de 2025, o Departamento de Estado dos EUA revogou o visto de oito ministros do STF, acusando-os de praticar “caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A decisão afetou os magistrados Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia, Cristiano Zanin, Dias Toffoli, Edson Fachin, Flávio Dino, Gilmar Mendes e Luís Roberto Barroso.
Um mês depois, foi a vez de o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e ex-funcionários do Ministério da Saúde e da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) perderem permissões de viagem aos EUA. A revogação, informou o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, foi uma retaliação pela parceria entre Brasil e Cuba no programa Mais Médicos.
Membros da Advocacia Geral da União (AGU), da Procuradoria-Geral da República (PGR) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) também foram alvo das medidas.
O governo brasileiro também já impediu que integrantes do governo norte-americano, todos eles ligados à diplomacia do país, viajassem ao Brasil.
Créditos: Metrópoles



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