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Raquel Lyra começa campanha com o apoio de mais de 140 prefeitos; João Campos busca oposição

  • Foto do escritor: Jason Lagos
    Jason Lagos
  • 18 de jun.
  • 2 min de leitura

Raquel tem aproveitado o período junino e as entregas do governo para consolidar sua legião de prefeitos


A corrida pelo Palácio das Princesas ganha contornos importantes no território municipalista. Em Pernambuco, a governadora Raquel Lyra (PSD), pré-candidata natural à reeleição, larga com vantagem estrutural: conta com o apoio de, pelo menos, 140 dos 184 prefeitos do Estado. Do outro lado, sem mandato, o ex-prefeito do Recife e pré-candidato João Campos (PSB) costura alianças com blocos de oposição para fincar bases nas diversas regiões.


A governadora tem aproveitado o período junino e as entregas administrativas para consolidar sua legião de prefeitos. Em agendas ontem e anteontem no Sertão - que incluíram passagens por Salgueiro, Cabrobó, Orocó e Bodocó - esteve cercada por prefeitos aliados.


Mesmo em redutos divididos, como em Araripina - onde o prefeito Evilásio Mateus (PDT) já acenou a João Campos- a gestora demonstra força porque o gestor é alinhado a líderes políticos que estão no seu palanque: o ex-prefeito Miguel Coelho (UB), o deputado Fernando Filho (UB) e o senador Fernando Dueire (PSD).


Em seus discursos, Raquel tem um mantra que virou marca na relação com os municípios: “Eu já estive sentada na cadeira de prefeita e sei exatamente quais são as dores, as angústias e os desafios de cada um de vocês. O governo está de portas abertas para trabalhar com todos os municípios, sem distinção de cor ou de bandeira partidária.”


Diante do cerco governista, João Campos foca nas dissidências e nos líderes sem caneta, mas com densidade eleitoral. Nos últimos dias, colheu apoios em Belém de Maria, São Joaquim do Monte e Gameleira. O movimento mais emblemático ocorreu em Arcoverde, considerada a Porta do Sertão, com o lançamento da Frente das Oposições.


O socialista uniu correntes locais historicamente divergentes, incluindo o presidente da Câmara, vereador Luciano Pacheco - que rompeu com o prefeito Zeca Cavalcanti (aliado da governadora) após sofrer tentativas de cassação - e os ex-prefeitos Madalena Britto, Erivânia Camelo, Rosa Barros e Julião Guerra.


Para o cientista político e professor Felipe Ferreira Lima, a vantagem numérica de Raquel Lyra é real, mas não é estática. Ele explica que o apoio dos prefeitos garante uma largada confortável, principalmente em regiões onde os municípios dependem da máquina pública. Mas o histórico em Pernambuco mostra que o jogo pode virar.


Ele lembra que em 2006, Mendonça Filho tinha a máquina e apoio massivo, mas houve migração gradual de prefeitos para Eduardo Campos. E em 2022, Danilo Cabral contava com a estrutura de Paulo Câmara, mas a base de prefeitos desidratou durante a disputa. 


Sobre o movimento de João Campos, o professor aponta que buscar a oposição é óbvio, e acredita que a estratégia nos bastidores seja mais ambiciosa. “João Campos pode buscar os prefeitos insatisfeitos, mesmo os que declaram apoio à governadora. Mapear e farejar esse tipo de liderança é fundamental.”



Créditos: Folha PE

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