PT vai confirmar apoio a João Campos, mas deixará recados duros ao PSB nos bastidores
- Jason Lagos
- há 2 dias
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Marília Arraes e Carlos Costa estarão na chapa de João Campos para a disputa do Governo de Pernambuco
O apoio do PT de Pernambuco a João Campos (PSB) será confirmado no próximo dia 28. Pelo rito que está sendo previsto, o PT realiza sua plenária final, legitima a decisão encaminhada de integrar a chapa do PSB, confirma o nome de Humberto Costa (PT) e, em seguida, convoca a militância para receber o pré-candidato ao governo e informá-lo da decisão.
Internamente há bastante divergência e insatisfação no Partido dos Trabalhadores, mas a ordem é fazer de tudo para que isso não contamine o anúncio. Os recados ao PSB, embora duros, serão restritos aos bastidores.
O percurso da formação da chapa da Frente Popular foi curioso, porque vai terminar cumprindo a perspectiva do início, mas com tantos tropeços pelo caminho que o resultado pode ser totalmente diferente do esperado. Entre os petistas, há muitos que apontam uma “gestão atrapalhada das articulações por parte do PSB”.
Duas lideranças nacionais do partido de Lula fizeram um relato das últimas semanas que inclui mais indefinições e surpresas do que entendimento. Segundo eles, as “certezas” de João Campos mudaram ao menos três vezes num curto espaço de tempo e terminaram com um anúncio sem combinar com os petistas. Por isso ficaram na bronca e vão continuar na bronca mesmo após o dia 28.
Campos sempre explicou nas conversas com os petistas que precisava montar uma chapa que tivesse a esquerda, mas que também contemplasse o centro, ou teria menos chance na eleição. O objetivo maior do socialista sempre foi a federação União Progressista. Por mais de uma vez, garantiu que, se confirmasse a federação, sairia vitorioso.
Os petistas sempre entenderam a ideia e concordaram. No radar de João estava Miguel Coelho (União) como “plano A” para a segunda vaga do Senado ao lado de Humberto Costa e, se não desse certo, o “plano B” seria Silvio Costa Filho (Republicanos) porque seria alguém do centro, mesmo não garantindo a federação.
Esse foi o plano que mais durou, desde o início das conversas até bem pouco tempo atrás. E embora pontuasse que haveria resistências a aceitar Miguel na chapa e que Eduardo da Fonte (PP) é quem iria comandar a federação, o PT achava a articulação “factível” e apoiou.
Quando Marília Arraes entrou no jogo e, no extremo, anunciou que “seria candidata ao Senado de qualquer maneira” as coisas começaram a se complicar. Foi quando os petistas perceberam pela primeira vez que Campos tinha vendido lotes demais num condomínio bem menor do que a propaganda mostrava.
Naquele momento, a crise passou a ser a prima de João e a possibilidade de que ela fosse candidata fora da chapa, avulsa. O PT vetou e uma reunião foi feita para informar isso a Campos. Havia um problema sério com a candidatura avulsa, porque ela iria pedir votos apenas para ela, poderia amarrar a votação nos bastidores com qualquer outro candidato ao senado, até de outro campo, e prejudicaria muito o PT. “Você criou o problema, agora resolva”, foi dito ao prefeito do Recife.
Enquanto tudo isso ainda se desenrolava e o pré-candidato do PSB comunicava à Marília que ela não ficaria no grupo, a operação da Polícia Federal que envolveu a família Coelho, de Miguel, aconteceu. Coincidência ou não, Campos intensificou conversas com Eduardo da Fonte (PP).
João Campos afirmou, então, que estava organizando a chapa com Humberto e Dudu da Fonte para o Senado, e que isso garantiria a federação União Progressista. Já era a segunda formação de palanque diferente apresentada pelo PSB.
A informação do acerto que incluía Dudu da Fonte na vaga que passou meses sendo disputada por três outros concorrentes, agora descartados num estalar de dedos, vazou e causou uma revolução. No Palácio do Campos das Princesas, caiu como uma bomba. Fazia meses que Eduardo da Fonte era tratado como o único nome certo (além do de Raquel) na chapa governista.
Marília Arraes, Silvio Costa Filho e Miguel Coelho também ficaram muito irritados, mas com João Campos. Miguel e Silvio foram os primeiros a abrir negociações com a governadora, Marília foi na sequência. O ex-prefeito de Petrolina juntou-se ao deputado Mendonça Filho (União) e assumiu a briga para levar a federação União Progressista para Raquel. A ideia era isolar Eduardo da Fonte.
Silvio Costa Filho teve uma longa conversa com a governadora, na sede do PSD, no sábado (14). A reunião terminou com um aperto de mãos e a garantia de que estariam juntos na eleição.
Faltava Marília, que conversou com Raquel por telefone e marcou uma reunião, em Brasília, para a quarta-feira (18), junto com o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi. Foi quando Campos correu para agir e evitar o prejuízo.
A formação definitiva da chapa, acreditam os petistas, deve atrapalhar mais o próprio João Campos do que Humberto Costa. É por isso que, no fim das contas, devem confirmar o apoio ao PSB em Pernambuco.
Os socialistas fizeram muitas concessões em outros estados também, filiando nomes que o PT precisa para compor estratégias nacionais, por isso a parceria não deixará de ocorrer.
Mas ficou uma mágoa pela maneira atabalhoada com que o processo foi conduzido e, principalmente, por ter divulgado uma chapa, apressando os petistas, sem combinar com eles. Isso terá consequências na mobilização da militância, inclusive, no dia da votação.
Créditos: Jornal do Comércio



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