PT tenta atrair MDB com vaga de vice de Lula, mas Alckmin e palanques são entraves
- Jason Lagos
- há 12 minutos
- 4 min de leitura

Há uma percepção no entorno de Lula de que a única chance de atrair o MDB é ofertando o posto de vice
Um grupo do PT encarregado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva de articular sua reeleição pretende fazer uma ofensiva para incluir o MDB na chapa que será levada às urnas em outubro. O principal trunfo a ser oferecido ao partido é o posto de vice, o que deslocaria Geraldo Alckmin (PSB) para a disputa eleitoral de São Paulo. Atualmente, a legenda ocupa três ministérios no governo, mas a cúpula emedebista resiste a um alinhamento eleitoral.
Caso um acordo vingue, os citados para eventualmente ocupar o posto de vice de Lula são Renan Filho e o governador Pará, Helder Barbalho. Ambos têm, no momento, planos de disputar a eleição em seus estados, concorrendo ao governo e ao Senado, respectivamente.
A história do MDB sempre foi marcada por divisões regionais. Mesmo quando a legenda formalizou as alianças com Dilma Rousseff em 2010 e 2014 com a indicação de Michel Temer para vice, houve dissidências em estados como o Rio Grande do Sul.
Por isso, a cúpula do PT sabe que seria impossível contar com o apoio integral do partido e tenta construir uma aliança formal no plano nacional que garanta o tempo de televisão para o petista, mas com liberação dos diretórios estaduais.
Com a decisão do PSD de lançar um candidato a presidente — reforçada após a entrada do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, no partido na semana passada —, o MDB passou a ser visto pelos petistas como a única opção caso queira ter na chapa uma legenda de centro. Os governistas têm se empenhado em atrair setores do União Brasil, mas sabem que o partido não assumirá uma posição formal a favor de Lula.
Por isso, a cúpula do PT sabe que seria impossível contar com o apoio integral do partido e tenta construir uma aliança formal no plano nacional que garanta o tempo de televisão para o petista, mas com liberação dos diretórios estaduais.
Com a decisão do PSD de lançar um candidato a presidente — reforçada após a entrada do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, no partido na semana passada —, o MDB passou a ser visto pelos petistas como a única opção caso queira ter na chapa uma legenda de centro. Os governistas têm se empenhado em atrair setores do União Brasil, mas sabem que o partido não assumirá uma posição formal a favor de Lula.
Há uma percepção no entorno de Lula de que a única chance de atrair o MDB é com a oferta do posto de vice. Por isso, o presidente se mostraria disposto a sacrificar Alckmin, apesar de costumar elogiar o seu desempenho no posto. Nesse caso, o atual vice-presidente poderia disputar o Senado ou o governo de São Paulo.
A maior resistência hoje no MDB a um acordo com o PT está no prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes. No segundo turno da eleição presidencial de 2022, Nunes resistiu a um apoio formal do partido ao petista contra Jair Bolsonaro (PL), enquanto a candidata emedebista naquela eleição, Simone Tebet, subiu no palanque e foi peça importante para a vitória de Lula.
Na disputa de 2024, em que foi reeleito, o prefeito de São Paulo teve o apoio de Bolsonaro, que chegou a indicar o seu vice, Coronel Mello Araújo (PL). Ao longo da campanha, porém, Bolsonaro chegou a se distanciar de Nunes.
O prefeito da capital paulista afirma respeitar a posição de seus colegas de partido que estão no governo, os ministros Jader Filho (Cidades), Renan Filho (Transportes) e Simone Tebet (Planejamento), mas acredita que uma adesão a Lula não seria aprovada nas instâncias internas.
Aliados de Lula no MDB entendem que a posição assumida pelo prefeito da capital paulista é, em parte, resultado do papel desempenhado pelo presidente na eleição de 2024. O mandatário se engajou com afinco na campanha de Guilherme Boulos (PSOL), que perdeu a disputa no segundo turno, com participações no horário eleitoral, presenças em comícios e pressão para que o PT colocasse R$ 44 milhões na campanha do ex-líder dos sem teto.
A decisão recente do presidente de fazer com que Simone Tebet mude o seu domicílio eleitoral para São Paulo para disputar uma cadeira no Senado pelo estado também contribuiu para acirrar os ânimos com o comando do MDB.
Dirigentes petistas acreditam que Tebet poderia permanecer no MDB se a aliança com Lula vingasse. Mas Nunes tem um compromisso de apoiar a reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) na disputada estadual. Uma hipótese que tem sido ventilada é a ministra do Planejamento se transferir para o PSB.
Em entrevista ao portal Uol, nesta quinta-feira (5), Lula afirmou que Alckmin tem um “papel para cumprir em São Paulo”, assim como o atual ministro da Fazenda, Fernando Haddad. O petista citou ainda a ministra do Planejamento, Simone Tebet, também cotada para concorrer no Estado.
Lula expôs na entrevista o que já vinha dizendo a interlocutores nos bastidores há tempos. Segundo aliados, o petista vê Alckmin como o nome mais competitivo de seu grupo para a disputa ao governo paulista — inclusive mais competitivo que Haddad.
A fala de Lula não deve ser muito bem recebida por Alckmin. O vice-presidente vinha deixando claro a aliados nos últimos tempos que preferia continuar como vice do que disputar as eleições novamente em São Paulo, Estado que ele governou por três mandatos.
Créditos: O Globo e UOL




Comentários