Plano discutido para Pernambuco prevê um senador lulista em cada palanque
- Jason Lagos
- há 20 horas
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A orientação é manter diálogo com os dois campos e pedir votos para aliados em mais de uma chapa
A eleição para o Governo de Pernambuco em 2026 ainda está distante do momento decisivo, mas os bastidores políticos já revelam movimentos importantes que ajudam a compreender o estágio atual da disputa. As articulações que envolvem o presidente Lula (PT), o prefeito do Recife João Campos (PSB) e a governadora Raquel Lyra (PSD) mostram um cenário com estratégias ainda sendo definidas de acordo com a "dor do prazo" de cada um.
Conversas em Brasília indicam que o Palácio do Planalto busca preservar alianças distintas no Estado, sem privilegiar nenhum lado, enquanto lideranças locais tentam posicionar seus projetos eleitorais dentro dessa equação nacional. Há insatisfação entre PT e PSB também e a montagem das chapas para o Senado pode ter um cenário curioso.
A orientação do presidente é manter diálogo com os dois campos políticos e pedir votos para aliados em mais de uma chapa ou não pedir para ninguém, apenas receber. Isso já teria sido comunicado a Raquel, ao PT local e a João Campos.
Essa postura atende diretamente ao interesse da governadora Raquel Lyra, que sempre defendeu um cenário de neutralidade presidencial na disputa estadual. Para o governo estadual, essa estratégia reduz o risco de isolamento político e preserva um canal permanente de interlocução com o Palácio do Planalto e com o presidente.
Para o prefeito do Recife, João Campos, o cenário torna-se mais complexo. A candidatura do socialista vinha sendo estruturada com a expectativa de apoio exclusivo de Lula, elemento considerado estratégico para consolidar sua posição na disputa estadual enfrentando uma governadora no cargo.
Nos bastidores de Brasília, cresce o incômodo de lideranças petistas com a insistência de João Campos em ainda buscar apoio exclusivo do presidente. Integrantes da direção nacional do partido relatam desconforto com o tom das negociações conduzidas pelo prefeito do Recife.
Uma das estratégias utilizadas por João Campos, segundo essas fontes, seria condicionar a posição do PSB nacional em outros estados ao comportamento de Lula em Pernambuco. O argumento apresentado por interlocutores do prefeito é que o PSB poderia rever apoios ao PT em determinadas disputas caso não haja reciprocidade exclusiva no Estado.
Paralelamente à disputa pelo governo, começa a ganhar forma uma engenharia política para a eleição ao Senado. A hipótese que vem sendo discutida nos bastidores é a de acomodar dois aliados do presidente em chapas diferentes na disputa pela Casa Alta. Um com João e outro com Raquel.
Nesse desenho, o senador Humberto Costa (PT) aparece como nome que pode ser associado a um palanque e Silvio Costa Filho é citado como possibilidade na outra chapa. Lula pediria voto para os dois, já que serão duas vagas.
A movimentação recente de Silvio Costa Filho reforça essa leitura. Após recados que chegaram de Brasília, o ministro reduziu o tom das críticas à governadora, por exemplo, e passou a adotar postura mais cautelosa no debate político estadual.
Créditos: JC Online


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