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Piora na avaliação e palanques rachados viram desafio para Lula no Nordeste

  • Foto do escritor: Jason Lagos
    Jason Lagos
  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

A avaliação do governo e a rejeição do petista na região estão ligeiramente piores do que em 2022


Decisivo para a vitória de Lula (PT) em 2022, o Nordeste apresenta um quadro desafiador para o presidente nesta eleição. A avaliação do governo e a rejeição do petista na região estão ligeiramente piores, cenário que se soma a rachas na base aliada em pelo menos 6 dos 9 estados.


A região foi a única no país em que o petista venceu há quatro anos, mas a diferença foi tão grande (69,3% a 30,7%, 12,5 milhões de votos a mais) que compensou a derrota no resto do Brasil e o levou ao terceiro mandato. Aliados afirmam que repetir uma vitória esmagadora no Nordeste é essencial para a reeleição.


Em março de 2022, 27% dos eleitores do Nordeste diziam que não votariam de jeito nenhum no petista, de acordo com o Datafolha. Na pesquisa feita pelo instituto neste mês, 33% se recusam a votar nele. O então presidente Jair Bolsonaro (PL) era rejeitado por 62% há quatro anos.


Naquela sondagem de 2022, Lula registrava apoio de 67% dos eleitores nordestinos no segundo turno contra 26% de Bolsonaro, percentual que se manteve estável até a véspera do primeiro turno. Agora, o instituto aponta o presidente com 59% a 30% contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na região.


Para o PT, o ponto favorável é que a rejeição a Flávio cresceu na região desde o ano passado. Em junho, 33% diziam que não votariam nele, percentual que passou a 42% no mês seguinte, após o tarifaço dos Estados Unidos. Agora são 52%, mas ainda está abaixo dos 64% que se recusavam a votar no ex-presidente às vésperas do primeiro turno da eleição de 2022.


Além da popularidade, outro desafio tem preocupado a campanha petista no Nordeste: os rachas na base aliada. Há divergências dentro do próprio PT, disputas por poder que já miram a eleição de 2030 e a cobrança por exclusividade nos palanques estaduais.


Estado em que o presidente teve sua maior votação, o Piauí é um dos palcos desses conflitos. O governador Rafael Fonteles (PT) se desentendeu com seu antecessor, o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias (PT), sobre a escolha do candidato a vice-governador –e potencial sucessor em 2030.


No PT da Bahia, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, não se entendem há tempos. A disputa levou ao rompimento com o senador Ângelo Coronel (hoje sem partido) e pressões para que Jerônimo Rodrigues (PT) desistisse da reeleição ao governo e Costa concorresse, ideia refutada pelo grupo de Wagner, que quer um dos seus para suceder o atual governador em 2030.


No Ceará, com o governador petista Elmano de Freitas ameaçado pela candidatura de Ciro Gomes (PSDB), há ainda disputa pelo Senado. O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT), diverge da estratégia do ministro da Educação, Camilo Santana (PT), de ampliar a coligação com oferta da vaga ao Senado. Com a intenção de ser candidato, Guimarães afirma que a eleição de senadores leais a Lula é tão importante quanto a própria reeleição.


A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), enfrenta dificuldade de construir sua sucessão após romper com o vice e ficar minoritária na Assembleia Legislativa.


Em outros estados, o problema é pelo excesso de candidatos da base, o que pode dificultar a campanha de rua e causar desgastes durante a eleição. O prefeito do Recife e presidente nacional do PSB, João Campos, quer Lula exclusivamente em sua campanha, enquanto a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, trocou o PSDB do PSD em busca de apoio do petista.


O governador do Maranhão, Carlos Brandão, lançou o sobrinho candidato e rompeu o acordo para apoiar seu vice, que é do PT. Os petistas agora se aproximam do prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), até então um adversário mais ligado à direita, e trabalham com a ideia de formar um palanque duplo, mas há receio sobre o real empenho dos candidatos nesse cenário.


Na Paraíba, o vice-governador Lucas Ribeiro (PP) disputa Lula com o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB) –que ameaça ficar neutro se o PT insistir no palanque duplo. A eleição também pode causar dores de cabeça em Brasília, já que o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), tenta convencer o petista a fazer campanha ao Senado para seu pai.


Secretário-executivo do PT, Henrique Fontana diz que a divisão da base exige “atenção e cuidado”, mas refuta que seja motivo de preocupação. “É melhor enfrentar esse complexo desafio de excesso de apoios do que não ter apoio”, afirma.



Créditos: Folha SP

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