No Nordeste, Flávio Bolsonaro tenta reduzir votação local de Lula ao ligá-lo a Alexandre de Moraes

O senador evitou declarar apoio a qualquer um dos candidatos que disputam o Governo de Pernambuco
A pouco menos de três semanas do primeiro turno das eleições presidenciais, o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) adota, durante a passagem pelo Nordeste, a estratégia de associar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à crise institucional vivida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e ao desgaste na imagem pública do ministro Alexandre de Moraes.
O candidato do PL esteve em Juazeiro do Norte (CE) e, nessa quarta-feira (16), passou pelo Recife. Na capital pernambucana, Flávio relacionou Lula aos ministros do STF durante comentário sobre a sessão extraordinária realizada na terça-feira (15), que analisou a possibilidade de abertura de investigação contra Moraes por suposta ligação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Em discurso, Flávio disse que “os ministros do Lula” teriam sido determinantes para o desfecho. O julgamento terminou sem definição, após pedido de vista do ministro Flávio Dino.
“Não fossem os ministros do Lula, o Supremo Tribunal Federal ainda viveria; a nossa democracia ainda respiraria. A gente vê o desespero, todos eles apostando as suas fichas na reeleição do Lula para que eles fiquem impunes. Esse é o medo do Supremo”, afirmou.
Ainda no Recife, o candidato afirmou que Lula teria uma espécie de dívida com Moraes. “Se o Lula foi declarado presidente da República, ele deve ao Alexandre de Moraes, e é por isso que ele não pode criticar o Alexandre de Moraes. Ontem ele criticou, hoje ele já elogiou, já passou a mão na cabeça do Alexandre de Moraes”, disse. Em seguida, Flávio questionou: “Está devendo, Lula? Está devendo, Lula?”.
O candidato também incorporou ao discurso as futuras indicações ao STF. Segundo ele, sob um eventual novo governo Lula, seriam nomeados mais ministros com o perfil atribuído a Moraes e Dino.
A estratégia de desgastar a imagem de Lula ocorre em uma região na qual o petista mantém, historicamente, vantagem expressiva nas pesquisas de intenção de voto.
A disputa pelo eleitorado nordestino remete ao desempenho de Jair Bolsonaro na eleição de 2022. No segundo turno daquele ano, Lula venceu o então presidente em todos os nove estados da região.
O senador evitou declarar apoio a qualquer um dos candidatos que disputam o Governo de Pernambuco durante a agenda de campanha no Recife.
A declaração ocorreu antes do comício realizado no Cais da Alfândega, no Bairro do Recife. Ao falar sobre a disputa estadual, Flávio afirmou que não indicaria um nome para o governo porque o ato tinha como principal palanque a candidatura de Mendonça Filho (PL) ao Senado.
"O presidente é 22 e o governador fiquem à vontade. Independente de quem seja governador ou governadora, vai ter as portas abertas em Brasília. Vou pensar no povo pernambucano", afirmou o candidato.
A postura de Flávio mantém aberta a relação com os diferentes grupos que disputam o comando do Estado. Durante a agenda, entretanto, o presidenciável reforçou sua aliança com Mendonça Filho, que busca uma das duas vagas de Pernambuco no Senado.
Segundo Mendonça, a passagem desta quarta-feira deve ser a última de Flávio Bolsonaro por Pernambuco durante a campanha. O candidato ao Senado pediu que os aliados intensifiquem a mobilização no Estado para ampliar a votação do presidenciável.
Créditos: Metrópoles e jamildo.com



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