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Namorada de Andrei Rodrigues recebeu valores milionários de empresa do esquema de Daniel Vorcaro

  • Foto do escritor: Jason Lagos
    Jason Lagos
  • 26 de jun.
  • 3 min de leitura

Demitida da Record por misturar jornalismo com interesses financeiros, Renata migrou para o lobby


A jornalista Renata Varandas, apresentadora do programa "Poder em Foco", no SBT News, recebeu valores milionários da Ambipar, multinacional ligada ao esquema de corrupção envolvendo Daniel Vorcaro e com contratos de quase R$ 500 milhões com o governo Lula.

 

Fontes da Polícia Federal, ligadas inclusive ao atual governo, disseram que Andrei Rodrigues está fazendo com sua namorada "o mesmo que Moraes fez com Viviane Barci", referindo-se ao contrato de R$ 129 milhões.

 

Outras fontes, também da PF, afirmaram que alguns veículos de comunicação têm resistido a abordar essa pauta por corporativismo em relação à ex-colega de profissão e por medo de retaliação do diretor-geral da PF, que é fonte de grande parte dos jornalistas. Não é raro ver profissionais dizendo que falaram ao telefone com ele.

 

Demitida da TV Record por misturar jornalismo com interesses financeiros — ela antecipou ao mercado trechos de entrevista com o presidente Lula antes de ir ao ar — Renata Varandas migrou para o lobby em Brasília, tornando-se sócia de um escritório de relações governamentais.

 

Meses depois, foi contratada pelo SBT News para apresentar um programa político semanal. A emissora não informou ao telespectador nenhum dos vínculos da apresentadora: nem o escritório de lobby, nem a Ambipar, nem o namoro com o diretor-geral da Polícia Federal.

 

Jornalista e lobista, Varandas é sócia do escritório Figueiredo & Velloso Advogados Associados, em Brasília, na área de comunicação e relações governamentais, e é namorada do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues, o mesmo afastado pelo ministro André Mendonça, do STF, das investigações do caso Master.

 

A Ambipar — empresa que Renata Varandas exibia como vínculo profissional no Instagram — fechou contrato de R$ 269,7 milhões com a Funai em dezembro de 2024 para transportar cestas de alimentos a 27 mil indígenas Yanomami e Ye'kwana no Amazonas e em Roraima. A empresa não foi a primeira colocada na licitação: a Helimarte Táxi Aéreo apresentou o menor preço, mas foi desclassificada por não atender requisitos técnicos. A Ambipar, segunda colocada, assumiu o contrato.

 

Oito meses antes, em 25 de abril de 2024, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues — namorado de Renata Varandas — participou de uma degustação de whisky Macallan com Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, no exclusivo George Club, em Mayfair, Londres.

 

O evento foi bancado pelo próprio Vorcaro: só a degustação custou US$ 640 mil — cerca de R$ 3,2 milhões. O Banco Master era, na época, investigado pela CVM por esquema de manipulação de ações da Ambipar, avaliado pelos técnicos da autarquia como "movimento orquestrado" entre o banco e a empresa de Borlenghi.

 

Em outubro de 2025, a Ambipar pediu recuperação judicial com dívidas de aproximadamente R$ 10,5 bilhões — meses depois de ter encerrado o ano com meio bilhão em contratos ativos com o governo federal, três deles sem licitação. A empresa que a namorada do chefe da PF carregava na bio do Instagram estava, na prática, tecnicamente insolvente enquanto recebia recursos públicos para voar sobre a maior terra indígena do Brasil.

 

A Polícia Federal comandada por Andrei Rodrigues operou diretamente nos territórios Yanomami — os mesmos territórios onde a Ambipar executou contratos de R$ 480,9 milhões com o governo federal, três deles sem licitação.

 

A PF é o braço operacional das ações do governo em áreas indígenas, atuando ao lado da Força Nacional nas operações coordenadas pelo Ministério dos Povos Indígenas de Sônia Guajajara. Em outras palavras: o namorado de Renata Varandas comandou a força policial que operou no mesmo território onde a empresa que ela carregava na bio do Instagram recebia centenas de milhões em recursos públicos.

 

Guajajara nunca foi convidada ao "Poder em Foco" para explicar os contratos com a Ambipar. Andrei Rodrigues nunca foi perguntado publicamente sobre o vínculo da namorada com a empresa. E Renata Varandas nunca informou ao telespectador, em nenhum dos episódios do programa, que o nome estampado em seu Instagram pertencia a uma empresa que negociava com o governo que ela cobre semanalmente na televisão.

 

Repórter com mais de 20 anos de cobertura política em Brasília, Varandas passou pela Radiobrás, pela TV Record — por quase duas décadas — e brevemente pela CNN Brasil.

 

Foi demitida da Record em julho de 2024. O motivo: ela entrevistou o presidente Lula no Palácio do Planalto às 9h30 do dia 16 de julho. A entrevista iria ao ar às 19h55. Antes disso, trechos da fala do presidente — nos quais Lula dizia que precisava ser convencido sobre cortes de gastos e que a meta fiscal não precisava necessariamente ser cumprida — foram antecipados ao mercado financeiro por um comunicado da Capital Advice, agência de análise política para investidores. Varandas era sócia-administradora da Capital Advice.



Créditos: Gazeta do Paraná

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