Lupi diz que João Campos empurra o PDT para fora da aliança, e que Marília pode se aliar a Raquel Lyra
- Jason Lagos
- há 13 minutos
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O presidente do PDT não escondeu o descontentamento com a “cera” imposta pelo time João Campos
O tabuleiro político de Pernambuco viveu um dia de fervura nesta quinta-feira (12). O que antes era tratado nos bastidores como mera especulação, ganhou contornos de realidade: a governadora Raquel Lyra (PSD) e sua principal adversária no pleito de 2022, Marília Arraes (Solidariedade), romperam o isolamento e adotaram um tom de inesperada diplomacia.
As duas já se encontram pessoalmente e mantêm diálogos diretos via telefone para selar uma eventual pré-candidatura de Marília ao Senado na chapa governista em 2026.
A confirmação do movimento veio através de Carlos Lupi, presidente nacional do PDT, que deixou transparecer o esgotamento com a hesitação do prefeito João Campos (PSB) em definir o espaço de Marília na Frente Popular.
Em coletiva realizada no escritório político de Marília Arraes, no Recife, a ex-deputada acompanhou cada palavra de Lupi, mas optou pelo silêncio. Questionada repetidamente pelos jornalistas sobre o teor da conversa com Raquel Lyra e como seria subir no palanque de quem ela combateu duramente há dois anos, Marília esquivou-se e disse que a coletiva de imprensa foi organizada “apenas para Lupi falar”.
Mais cedo, o presidente do PDT, que se mostra otimista sobre o diálogo da ex-deputada com a governadora, não escondeu o descontentamento com a “cera” imposta pelo time João Campos. O pré-candidato a governador tem condicionado a vaga de Marília ao Senado a um “afunilamento coletivo”, mas o tempo do relógio eleitoral corre em outra velocidade para o PDT.
“A gente tem uma relação mais antiga e mais próxima com o João, mas hoje o que se noticia, ainda não é fato, é que ele já está com a sua chapa fechada. Então, praticamente nos empurra para fora da sua aliança. Ao mesmo tempo, a gente já dialogou com ele. Estivemos conversando também por telefone com a governadora Raquel para aventar essas hipóteses”, disse Lupi em entrevista à rádio Jornal.
O histórico de Marília Arraes é uma sucessão de embates seguidos de um pragmatismo que desafia a memória do eleitor pernambucano. Em 2020, ela e João Campos dividiram o Recife em uma das campanhas mais viscerais da história recente, com ataques que chegaram ao âmbito familiar. Contudo, em 2022, o cenário forçou uma trégua: os primos deixaram as cicatrizes de lado para tentar barrar o avanço de Raquel Lyra, que era a preferida a comandar o Palácio do campo das Princesas.
Foi justamente nesse ponto que o confronto entre as duas começou. A disputa pelo Governo de Pernambuco em 2022 entre Marília e Raquel não se limitou ao campo das ideias, foi um duelo de desconstrução mútua.
No segundo turno, as candidatas protagonizaram um embate ríspido, marcado por trocas de acusações sobre heranças políticas, competência administrativa e um tom pessoal que parecia inviabilizar qualquer diálogo futuro.
Naquela época, Raquel era o alvo principal da artilharia de Marília, que a acusava de representar o retrocesso, enquanto Raquel explorava a imagem de Marília como alguém que “mudava de lado por conveniência”.
Agora, o impensável acontece. O “inimigo” mudou. Diante do gelo político imposto por João Campos, a mesma Marília que foi oposição ferrenha aos primeiros anos da gestão Raquel, agora liga para a governadora pensando em seu futuro político.
Ao ser confrontado sobre as “idas e vindas” e as brigas de Marília com seus atuais ou futuros aliados, Carlos Lupi buscou abrigo na história para justificar o movimento.
“A política pode ter a divergência, ela não pode separar causa. O Lula ficou com o Brizola quando Brizola foi candidato a governador pela segunda vez em 1990, e o Brizola ficou com Lula no segundo turno de 1989 porque o adversário era o Collor, mesmo tendo divergências profundas”, relembrou o dirigente.
Créditos: Leia Já e Blog Dantas Barreto




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