Lula condiciona ida ao debate da Globo à abertura do sigilos de Flávio Bolsonaro

Antes da mobilização na Bahia, Lula afirmou que duvidava de que o adversário aceitasse a proposta
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) colocou como participação para a sua participação no debate da TV Globo, marcado para sexta-feira (23), a apresentação de um documento em que Flávio Bolsonaro (PL) autorize a abertura de seus sigilos. A cobrança ocorreu nesta terça-feira (20), durante um ato de campanha na ponte sobre o Rio São Francisco, entre Juazeiro, na Bahia, e Petrolina, em Pernambuco.
“Se ele apresentar um documento autorizando a quebrar o sigilo, vai ter debate, porque senão ele não pode ir ao debate, porque o presidente da República não pode debater com ladrão”, afirmou Lula ao encerrar o discurso. Participaram da agenda aliados como Jerônimo Rodrigues, Rafael Fonteles e Rui Costa.
Mais cedo, a campanha de Lula protocolou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma autorização para divulgar informações bancárias, fiscais e telefônicas do presidente e de seus familiares. O documento condiciona a liberação à concordância de Flávio em adotar a mesma medida para si e sua família.
A proposta abrange os últimos oito anos e inclui informações relacionadas a pessoas próximas ao presidente, como a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, e o filho mais velho do petista, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A publicação dos dados seria feita em uma plataforma de acesso público, mas desde que Flávio abra mão dos seus próprios sigilos.
O pedido também contempla contas e empresas vinculadas aos dois candidatos. A análise foi encaminhada ao ministro André Mendonça, e a decisão sobre o procedimento cabe ao presidente do STF, Edson Fachin.
Antes da mobilização na Bahia, Lula afirmou que duvidava de que o adversário aceitasse a proposta. O presidente disse que a abertura dos dados permitiria confrontar as acusações feitas durante a campanha e identificar eventuais irregularidades.
Flávio, por sua vez, ironizou a iniciativa após o debate da Band. O senador afirmou que suas contas estão declaradas à Receita Federal e questionou a proposta de quebra do sigilo telefônico do petista, dizendo que Lula não teria celular.
O encontro da Globo será o último antes do segundo turno, previsto para domingo (25). O senador tem sido orientado a baixar o tom no debate, e deixar espaço para que Lula parta para o ataque.
Aliados mais comedidos afirmam que Flávio precisa ser “menos Pablo Marçal” e não pode “perder a linha” no último confronto antes da votação. O empresário, que disputou a Prefeitura de São Paulo em 2024, passou a ser ouvido como conselheiro na campanha presidencial de Flávio.
A avaliação é que, a dois dias de os brasileiros irem às urnas, Flávio não pode correr o risco de aumentar sua rejeição entre os indecisos ou desagradar eleitores que já declaram voto nele, mas ainda sem convicção.
O conselho é que cabe a Lula, que saiu atrás no primeiro turno, adotar uma postura mais agressiva na tentativa de enfraquecer o adversário. Há também o receio de que Flávio transmita uma imagem de arrogância ou passe a impressão de que já considera a eleição vencida.
A orientação é que Flávio adote uma postura mais propositiva, rebata as acusações de que pretende cortar programas sociais, como o Bolsa Família, e volte a insistir no discurso de mudança, apresentando propostas para o custo de vida da população e a segurança pública.
Isso não significa, porém, abandonar os ataques a Lula. O senador deve continuar explorando denúncias envolvendo o filho do presidente, conhecido como Lulinha, e resgatar escândalos de corrupção de governos petistas, como o mensalão e a Lava Jato.
Créditos: CNN Brasil e Poder360




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