Lula aconselhou Daniel Vorcaro a manter o Banco Master e rejeitar oferta do BTG Pactual
- Jason Lagos
- há 2 dias
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Lula recomendou a Daniel Vorcaro (C) que não vendesse o Master para André Esteves (D), do BTG Pactual
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aconselhou Daniel Vorcaro a não vender o Banco Master por um valor simbólico para o BTG Pactual, de André Esteves. O conselho foi dado pessoalmente por Lula a Vorcaro em uma reunião no Palácio do Planalto, em 4 de dezembro de 2024.
A reunião no Planalto serviu para o banqueiro pedir um conselho ao presidente da República: “O BTG, de André Esteves, quer comprar meu banco por R$ 1. Eu não quero confusão. Devo vender ou seguir no mercado? Nós queremos reduzir a concentração bancária do Brasil, presidente”.
Lula ouviu e respondeu usando alguns palavrões para se referir ao então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, cujo mandato terminaria alguns dias depois. Houve críticas também direcionadas a André Esteves, CEO do BTG Pactual.
O principal conselho do presidente da República a Vorcaro foi para que seguisse com o Banco Master, sem aceitar a proposta de Esteves. Na reunião, estava presente Gabriel Galípolo, que em janeiro de 2025 passou a comandar a autoridade monetária.
Vorcaro entendeu a presença de Galípolo na reunião e as críticas de Lula a Roberto Campos Neto como um incentivo para seguir com o Master.
Há uma estatística relevante sobre os contatos de representantes do Master com o Banco Central. Foram realizadas 65 reuniões presenciais desde 2019 entre Master e Banco Central. Só que foram 24 encontros na gestão de 6 anos de Roberto Campos Neto (2019-2024) e 41 encontros já durante o mandato de Gabriel Galípolo como presidente, nos primeiros 11 meses do ano de 2025.
À época da reunião de dezembro de 2024, já se sabia no mercado financeiro das imensas dificuldades do Master para honrar seus compromissos –a venda de CDBs oferecendo rendimentos muito acima da média do mercado. Vorcaro se apresentava a autoridades como uma pessoa interessada em quebrar o monopólio dos grandes bancos.
O presidente Lula em dezembro de 2024 também estava insatisfeito com declarações de André Esteves, do BTG, sugerindo falhas na política econômica e sinalizando que o próximo chefe do Executivo brasileiro poderia ser alguém de oposição ao PT. Por essa razão Lula viu em Vorcaro alguém em condições de ajudar a esquerda a ter uma presença maior na Faria Lima, o nome da avenida da cidade de São Paulo que é sinônimo de mercado financeiro.
Esse encontro de 4 de dezembro de 2024 foi articulado depois de uma audiência formal registrada na agenda do chefe do Gabinete Pessoal da Presidência, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola. A audiência constou como realizada em 4 de dezembro, mas só entrou no sistema oficialmente em 27 de dezembro daquele ano, com Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda, listado como participante. Ele atuava como representante e lobista de Vorcaro em Brasília.
Na reunião, Lula recebeu Vorcaro acompanhado do então ministro da Casa Civil, Rui Costa, e chamou para participar Gabriel Galípolo, então já designado para ser o próximo presidente do Banco Central. Galípolo era diretor de Política Monetária na época e não cuidava de regulação do sistema financeiro.
Também participaram Alexandre Silveira (Minas e Energia) e Augusto Lima, então CEO do Banco Master. Foram relevantes no encontro as presenças de Rui Costa (que foi governador da Bahia por 2 mandatos, de 2015 a 2022) e de Augusto Lima, empreendedor baiano que mantém excelentes relações com políticos daquele Estado.
Vorcaro saiu feliz do encontro com Lula: “Foi ótimo”, comemorou ele com sua então namorada, Martha Graeff, como mostram mensagens de um de seus celulares em posse da PF. “Ele chamou presidente do banco central que vai entrar” e “3 ministros”, diz Vorcaro. Martha reage com uma exclamação em formato de onomatopeia: “Wowwwwww”. E diz: “Tô louca pra saber de tudo”.
Com o conselho de Lula para não vender seu banco ao BTG, Vorcaro acabou concluindo uma negociação em março de 2025 com o BRB, o banco estatal que pertence ao governo do Distrito Federal. Só que logo na sequência essa operação passou a ser bombardeada por todos no mercado financeiro. Havia risco de não ser concluída –e não foi mesmo, pois o Banco Central acabou vetando o negócio, mas só bem depois, em setembro de 2025.
Créditos: Poder360
