Liderança do PT defende Jaques Wagner no caso Master, mas desconfiança cresce no partido
- Jason Lagos
- 19 de jun.
- 3 min de leitura

Apesar do apoio público de algumas lideranças do partido, nos bastidores o clima é bem diferente
Edinho Silva, presidente nacional do PT, declarou nesta quinta-feira (18) que o senador Jaques Wagner (PT-BA) é "depositário" de toda a "confiança" do partido e que terá sua inocência comprovada. A declaração veio após a PF (Polícia Federal) deflagrar uma operação que teve Wagner como alvo, no contexto das investigações relacionadas ao Banco Master.
Apesar do apoio público de algumas lideranças do partido, nos bastidores o clima é bem diferente. Segundo apuração da CNN, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria ligado a Wagner não apenas para oferecer apoio, mas para pedir explicações sobre a investigação.
Além de Lula, outros petistas também teriam feito o mesmo questionamento, sob reserva. Publicamente, figuras como o ministro Dario Durigan saíram em defesa do senador, mas as conversas reservadas revelavam desconfiança acentuada.
Uma figura descrita como muito próxima de Lula relatou que o clima de tensão em torno de Wagner já havia se instalado anteriormente, após especulações sobre supostos pagamentos à nora do parlamentar.
"Desde aquela história sobre a nora dele já havia um clima meio tenso dentro do partido por conta dessa história. E agora realmente o quadro parece um pouco mais complicado", teria dito esse interlocutor.
Um líder importante dentro do PT teria feito uma distinção clara ao comentar o caso. Segundo esse interlocutor, "ninguém vai acusar Jaques Wagner antes da hora" e todos darão a ele espaço para se defender.
No entanto, o mesmo líder teria dito: "Uma coisa é um líder do PT ou um dirigente do partido se ver envolvido em alguma grande polêmica, algum grande escândalo, quando ele está representando um projeto partidário e está fazendo o nosso projeto. Outra coisa é receber vantagens pessoais. Se o caso for este, eu me sinto totalmente desobrigado de fazer qualquer defesa de Jaques Wagner, pouco importa a história dele dentro do PT."
Jaques Wagner anunciou nesta quinta-feira que vai continuar no cargo de líder do governo no Senado até decisão contrária do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O parlamentar disse que Lula falou com ele hoje para prestar solidariedade a operação da Polícia Federal.
Ao não ser afastado imediatamente após a conversa com Lula, Wagner recebeu uma "sobrevida". A avaliação é de que houve uma decisão de aguardar o avanço das investigações antes de qualquer medida mais drástica.
Jaques Wagner confirmou nesta 5ª feira (18) que negociou com o investidor Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, o apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões mencionado nas investigações da 9ª fase da operação Compliance Zero. A ação da Polícia Federal apura se a transação foi feita em troca de atuações de Wagner a favor de interesses ligados ao Master.
Em entrevista à BandNews, o senador disse que tinha interesse em comprar o apartamento para sua filha. O imóvel está em construção no bairro Horto Florestal, em Salvador (BA). No negócio, Wagner sugeriu a Lima uma dinâmica de compra e recompra.
“É um apartamento que está em construção. Eu tinha interesse em dar o apartamento ou de ajudar minha filha a comprar um apartamento desse. Como o Augusto Lima era um investidor, eu disse a ele: ‘Você pode comprar? Depois, eu vou recomprar. Porque o apartamento está em construção, não está pronto. Então, eu teria que vender o apartamento da minha filha para poder complementar e pagar o apartamento, ou ela financiar”, disse o senador.
O imóvel fica no empreendimento Poème Horto, na Rua da Sapucaia. A unidade mencionada nos autos é o apartamento 1702, avaliado em R$ 2,5 milhões. O condomínio está sendo construído pela Moura Dubeux, com previsão de entrega para setembro de 2026.
Créditos: CNN Brasil e Poder360




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