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Flávio Bolsonaro condiciona ida a debates à participação de Lula

  • Foto do escritor: Jason Lagos
    Jason Lagos
  • há 6 horas
  • 2 min de leitura

A articulação do núcleo duro bolsonarista leva em conta a existência de múltiplas candidaturas de direita


O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, e a cúpula de sua campanha definiram uma diretriz estratégica para os confrontos na televisão: o senador só participará dos debates presidenciais caso a presença do presidente Lula (PT) esteja confirmada.


A articulação do núcleo duro bolsonarista leva em conta a existência de múltiplas candidaturas de direita no primeiro turno e o cenário apontado pelas pesquisas de intenção de voto, que sinalizam como mais provável a ocorrência de segundo turno entre Flávio Bolsonaro e Lula.


Na mais recente pesquisa Datafolha, divulgada na sexta-feira (24), Lula lidera com 40% das intenções de voto no primeiro turno, seguido por Flávio, com 32%. Já os demais nomes da direita aparecem bem atrás: Ronaldo Caiado (PSD) registra 4%, enquanto Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) têm 3% cada.


A avaliação do comando da campanha do PL é que participar de debates sem Lula servirá apenas para dar espaço e visibilidade a adversários de menor apelo eleitoral. “Alguém tem dúvida nesse Brasil de que no segundo turno vão estar o Flávio e o Lula? Então por que que você vai debater, sem querer tirar o valor do [Ronaldo] Caiado e do [Romeu] Zema, mas por que você vai debater com candidatos que têm 4%, 5%? Isso não faz sentido. O debate dele tem que ser com Lula e acabou”, declarou o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.


Valdemar reforçou que embates com candidatos menos pontuados não trazem ganhos para Flávio e consomem tempo precioso da equipe.


A logística de participação em debates costuma exigir ao menos um dia inteiro de preparação do candidato, incluindo treinamento de media training, organização de respostas para questionamentos de jornalistas e oponentes, além do planejamento de conteúdos formatados para corte e distribuição nas redes sociais.


A equipe de Flávio Bolsonaro também avaliou que esta eleição não conta com uma candidatura de perfil moderado de grande destaque, como ocorreu em pleitos anteriores. Para os estrategistas do PL, o diálogo com Zema, Renan e Caiado dificilmente ajudaria a atrair o eleitor indeciso.


“Flávio vai ficar dialogando com quem não é adversário dele? Por que vai se expor para nanico? Está todo mundo querendo lambiscar voto dele”, argumentou outro integrante do núcleo duro da campanha, alinhado ao posicionamento de Valdemar. “O adversário do Flávio é outro. Ele só iria [para o debate] se Lula fosse. O contraponto do Flávio é com o Lula”.


Apesar da orientação fixada pela cúpula, existem discordâncias nos bastidores do PL. Aliados do senador defendem sua exposição pública e sustentam que a ida aos debates seria importante para a construção de sua imagem diante do eleitorado.



Créditos: O Globo

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