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EUA dizem que é 'absurda' fala de chanceler brasileiro sobre risco de uso da força contra PCC e CV

  • Foto do escritor: Jason Lagos
    Jason Lagos
  • 8 de jul.
  • 3 min de leitura

O ministro de Relações Exteriores Mauro Vieira e o secretário de Estado Marco Rubio em Paris, em março


O governo do presidente americano Donald Trump classificou nesta terça-feira (7) como "absurda" a fala do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, que afirmou que existe a possibilidade de os Estados Unidos utilizarem forças militares em território brasileiro.


A fala de Vieira ocorreu depois do governo americano classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas.


Em resposta a um pedido de informações enviado pela Câmara dos Deputados pelo deputado Evair Vieira de Melo (Republicanos-ES), o chanceler afirmou haver uma "possibilidade de o uso de força militar dos Estados Unidos em território brasileiro". A mensagem do brasileiro veio a público nesta segunda-feira (6).


Um porta-voz do Departamento de Estado americano rebateu a declaração, afirmando que os EUA "estão adotando medidas decisivas, com base em suas próprias prerrogativas soberanas, para combater narcoterroristas".


Segundo ele, "essas facções brasileiras agora atuam nos Estados Unidos, e nós defenderemos nosso povo contra elas".


Para Washington, "alegações vagas sobre uma suposta intervenção costumam servir de pretexto para ajudar e dar suporte a alguns dos grupos mais violentos do mundo".


O governo Trump reconheceu PCC e CV como terroristas há um mês. A decisão contrariou o governo Lula e ocorreu dias após uma visita do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao presidente dos EUA. O pré-candidato à Presidência é um defensor da medida.


O Itamaraty não justifica como chegou à conclusão de que a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos abre caminho para o uso da força militar norte-americana no Brasil.


Questionado pelo Poder360, o Ministério das Relações Exteriores não respondeu qual foi o embasamento do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, ao avaliar a possibilidade de uma intervenção norte-americana em território brasileiro.


O Departamento de Estado dos EUA (equivalente ao Itamaraty) já havia negado de maneira peremptória a possibilidade de ação militar norte-americana no Brasil.


A porta-voz em língua portuguesa do Departamento de Estado, Amanda Roberson, deu entrevista ao Poder360 em 1º de junho de 2026 e disse o seguinte: “A lei americana das designações é muito clara: não contempla nenhum tipo de ação militar. É o Departamento de Guerra que tem responsabilidade para ações militares no mundo. Essas designações têm como os seus princípios as suas consequências, restrições de vistos e também restrições financeiras para bloquear as atividades e o apoio aos grupos criminosos”.


A Justiça Federal em Santos determinou a soltura de todos os investigados que foram presos na última 6ª feira (3) em esquema de lavagem de dinheiro para o PCC que movimentou R$ 10 bilhões.


Entre os beneficiados com a decisão está Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, que foi a 1ª brasileira punida com sanções diretas do governo Estados Unidos por ligações com a facção criminosa. A decisão de soltura é desta 3ª feira (7).


Stella Stefanie trabalhava como secretária para Victor Henrique de Oliveira Shimada, brasileiro sancionado pelo governo dos Estados Unidos por suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Uma empresa ligada a Victor, de quem Stella também é parente, movimentou R$ 29,3 bilhões, entre janeiro de 2021 e agosto de 2024, mesmo sem ter funcionários, de acordo com a Polícia Federal (PF).



Créditos: Folha SP, Poder360 e Metrópoles

 
 
 

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