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Em convenção nacional, Flávio Bolsonaro aposta em memória do pai e mensagem de IA

  • Foto do escritor: Jason Lagos
    Jason Lagos
  • 27 de jul.
  • 4 min de leitura

No telão, foi transmitida uma reprodução de inteligência artificial do ex-presidente, com recado ao filho


O PL oficializou a escolha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o filho 01 de Jair Bolsonaro (PL), como candidato à Presidência da República em uma convenção verde-amarela no Pacaembu, em São Paulo, no sábado (25).


O discurso de Flávio foi em grande parte dedicado a menções ao pai, com referências a si próprio como "o filho mais velho do capitão".


No telão, foi transmitida uma reprodução de inteligência artificial do ex-presidente, com um recado de apoio ao filho. "Peço que vocês recebam de braços abertos a pessoa que escolhi para me substituir, sangue do meu sangue, meu filho Flávio", disse o Bolsonaro de conteúdo sintético.


O senador chorou ao começar a falar do ex-presidente. Ele disse que o pai é perseguido, injustiçado e vítima "da maior farsa" da história do país. "Faço questão de dizer a cada um de vocês que sei exatamente o tamanho da responsabilidade que meu nome carrega, o filho mais velho do capitão, o homem que defendeu a liberdade com a própria vida."


O presidenciável do PL disse que, se Lula for reeleito, o Brasil vai caminhar para a ditadura. "Imagina ele indicando [ao STF] mais quatro Alexandres de Moraes para onde o Brasil vai?", questionou. Defendeu também que os "poderes voltem a respeitar a Constituição e sejam independentes e harmônicos entre si".


Flávio resumiu suas propostas ao dizer que filhos devem ser "estudantes e não militantes", que o agro deve ser "respeitado e não endividado" e que o salário vai voltar a durar até o fim do mês. Também defendeu castração química para estupradores de crianças e que fiquem mais tempo presos os que espancam mulheres.


Também foi transmitido no telão um recado de Binyamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, que afirmou que Flávio é um grande defensor do Brasil. "Você é um campeão da amizade entre nossos povos. Eu sei que você conduzirá o Brasil a patamares cada vez mais elevados", disse.


No palco, Flávio se cercou de figuras femininas: sua mãe, Rogéria; sua mulher, Fernanda, que deve ganhar protagonismo na campanha; e sua aliada e nome preferido para a vice, Daniella Marques (Republicanos). "Você é muito mais que só meu pilar, você é minha coluna vertebral", afirmou à mulher.


O presidente da Argentina, Javier Milei, veio ao Brasil especialmente para a convenção, que teve também a participação do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e do coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), além de uma série de congressistas e candidatos do PL.


O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que mora atualmente nos EUA, enviou um recado em vídeo, em tom mais duro. Ele afirmou que a missão do irmão é "combater essa corja do Foro de São Paulo" e "soltar Bolsonaro e os presos do 8 de Janeiro", fazendo a onda azul da América Latina chegar ao Brasil. Outro irmão de Fávio, Carlos Bolsonaro (PL), também participou por vídeo.


A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), por meio de mensagem em vídeo, afirmou que não pôde estar no evento por estar em casa cuidando do "seu galego". O deputado federal Nikolas Ferreira (PL), que disse não ter conseguido comparecer ao evento por não ter conseguido decolar devido ao mau tempo, também enviou um recado de vídeo apoiando Flávio.


A falta de uma coligação deixou Flávio sem um candidato a vice a ser apresentado em sua convenção —a expectativa era de que partidos aliados indicassem um nome, de preferência uma mulher. A campanha quer bater o martelo até 5 de agosto, prazo final das convenções.


O evento ocorreu num centro de convenções no interior do estádio do Pacaembu, na região central de São Paulo, com a presença de milhares de apoiadores vestidos de verde e amarelo.


Na véspera da convenção, o Datafolha mostrou um cenário de estabilidade na intenção de votos, com Lula (PT) à frente, marcando 48% num eventual segundo turno contra Flávio, que tem 43%. O cenário é de estabilidade ante junho, mostrando baixo impacto em intenção de voto da crise política da campanha do senador pelo Rio.


No primeiro turno, o petista marca 40%, ante 32% do primogênito do ex-presidente Jair Bolsonaro. Apesar de semelhante ao aferido na rodada anterior, a comparação direta não é possível porque a ficha com nome de pré-candidatos mudou, chegando a 12 nomes.


O distante pelotão inferior da disputa do primeiro turno está todo embolado na margem de erro de dois pontos para mais ou menos e inclui Ronaldo Caiado (PSD, 4% de votos totais), Romeu Zema (Novo, 3%), Renan Santos (Missão, 3%), Augusto Cury (Avante, 2%), Samara Martins (UP, 1%), Cabo Daciolo (Mobiliza, 1%) e Rui Costa Pimenta (PCO, 1%).


Não pontuam Heitor Dias (PSTU), Edmilson Costa (PCB) e Leonardo Avalanche (PRTB). Dizem estar indecisos 3%. O instituto ouviu 2.004 eleitores em 139 municípios de quarta-feira (22) a esta quinta (23). O levantamento está registrado com o código BR-01166/2026 no Tribunal Superior Eleitoral.


Imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro gerada por IA. O vídeo foi exibido na convenção do PL, em SP



Créditos: Folha SP

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