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Com Flávio, Caiado e Zema, direita tenta mostrar unidade em ato contra Lula, Moraes e Toffoli

  • Foto do escritor: Jason Lagos
    Jason Lagos
  • 2 de mar.
  • 3 min de leitura

Cartazes com "Fora Moraes", "Bolsonaro livre" e críticas a decisões da Corte se misturavam a bandeiras


As manifestações convocadas por lideranças bolsonaristas neste domingo (1º de março) levaram milhares de apoiadores às ruas em ao menos 20 cidades do país e transformaram a Avenida Paulista, em São Paulo, no principal palco da oposição ao presidente Lula e ao STF neste início de 2026.


Com o mote "Fora Lula, Moraes e Toffoli", o ato marcou a primeira grande mobilização nacional do campo bolsonarista após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ter sido apresentado como pré-candidato à Presidência da República, com o aval do pai, Jair Bolsonaro (PL).


A manifestação também consolidou a anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro e o enfrentamento ao STF como eixos centrais do discurso da direita.


Na capital paulista, cartazes com "Fora Moraes", "Bolsonaro livre" e críticas a decisões da Corte se misturavam a bandeiras do Brasil e bonecos infláveis ("pixulecos") de Lula e de ministros do Supremo.


Os atos foram convocados pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e pelo pastor Silas Malafaia. Além de Flávio, outros dois pré-candidatos à sucessão de Lula participaram da manifestação na Paulista: os governadores de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD).


Último a discursar, Flávio Bolsonaro adotou tom calculado. Defendeu o impeachment de ministros do STF, mas evitou ataques nominais diretos. Em vez disso, buscou enquadrar o discurso como defesa institucional.


"Todos nós somos favoráveis ao impeachment de qualquer ministro do STF que descumpra a lei. Isso só não acontece hoje porque ainda não temos a maioria no Senado", afirmou.


Ao mesmo tempo, procurou diferenciar o Supremo enquanto instituição de decisões individuais de magistrados:


"O nosso alvo nunca foi o Supremo. Sempre dissemos que o Supremo é fundamental para a democracia. Mas estão destruindo a democracia, a pretexto de defendê-la, para atingir Jair Bolsonaro".


Segundo ele, a presença de Caiado e Zema, outros dois pré-candidatos ao Planalto, era uma prova de que o ato não era eleitoreiro. Mas deixou clara sua pretensão em suceder Lula.


"Quero compartilhar com vocês o que eu disse para o meu pai agora na quarta-feira, olhando no olho dele. Eu falei: 'pai, em janeiro de 2027 você vai pessoalmente subir aquela rampa do Planalto junto com o povo brasileiro", afirmou.


A fala reforça a estratégia discutida nos bastidores do PL: reduzir o tom de confronto direto com a Corte e concentrar esforços na disputa eleitoral de 2026, especialmente na composição do Senado, visto como peça-chave para eventual avanço de pedidos de impeachment contra ministros.


Flávio compareceu ao ato usando colete à prova de balas, gesto que simboliza tanto a tensão política quanto a construção de imagem de liderança sob ameaça.


Se Flávio buscou moderação, Nikolas Ferreira adotou retórica frontal: "O destino final do Alexandre de Moraes não é o impeachment. O destino de Alexandre de Moraes é a cadeia."


Nikolas também afirmou que o Brasil "não tem medo" do ministro e acusou o magistrado de ultrapassar suas atribuições constitucionais.


O ex-deputado Eduardo Bolsonaro, cassado por faltas injustificadas, discursou por videochamada. Ele mora nos Estados Unidos há mais de um ano sob a alegação de perseguição política.


O pastor Silas Malafaia fez um dos discursos mais duros contra o Supremo. Criticou o inquérito das fake news, aberto em 2019, e acusou Moraes de instaurar um "crime de opinião".


Malafaia também mencionou o chamado "caso Master", envolvendo contrato firmado por escritório da esposa de Moraes, insinuando conflito de interesses.


O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, adotou discurso explicitamente eleitoral: "Aquele que chegar lá, o primeiro ato será a anistia plena, geral e irrestrita em 1º de janeiro de 2027."


A declaração indica que a anistia aos condenados pelo 8 de janeiro se tornou compromisso programático de setores da direita. Caiado se filiou recentemente ao PSD, onde disputa internamente o direito de se candidatar à Presidência com os também governadores Eduardo Leite (RS) e Ratinho Jr. (PR).


Já o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, evitou citar nominalmente ministros do STF, mas atacou o que chamou de "intocáveis em Brasília". "Se for preciso, venho 50 vezes para acabar com esses intocáveis."


O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), declarou que o "time está escalado", em referência à pré-candidatura de Flávio, e destacou a ausência no evento, por conta de perseguição judicial, do ex-presidente Jair Bolsonaro e do ex-deputado Eduardo Bolsonaro.


O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), aliado de Bolsonaro, não compareceu por se encontrar em agenda internacional, na Alemanha.



Créditos: Congresso em Foco

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