Após sete pedidos, Moraes concede domiciliar provisória a Bolsonaro com uso de tornozeleira
- Jason Lagos
- há 2 dias
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Nos três meses nos quais Bolsonaro ficará impedido de articular diretamente com aliados e políticos
A decisão que autorizou a transferência de Jair Bolsonaro (PL) para prisão domiciliar, com uso de tornozeleira, após sete pedidos, limita a articulação direta do ex-presidente com aliados e políticos na largada para a disputa eleitoral deste ano.
O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou a suspensão por 90 dias de todas as visitas ao ex-presidente, exceto as da família, advogados e médicos. Como é advogado do pai, Flávio Bolsonaro está incluído nessa lista.
Moraes explica em sua decisão que o prazo de 90 de dias de suspensão das visitas correspondente, de acordo com literatura médica, devido às condições mais frágeis do sistema imunológico de idosos, ao processo de recuperação total de pneumonia nos dois pulmões com retorno da força, fôlego e disposição em ambiente controlado.
Os três meses nos quais Bolsonaro ficará impedido de articular diretamente com aliados e políticos corresponde ao pontapé inicial da corrida eleitoral. Neste período, acontece a janela partidária, quando há definição de troca de partidos, e a desincompatibilização dos pré-candidatos.
Desde que foi preso preventivamente em agosto do ano passado, Bolsonaro recebeu, em um primeiro momento em sua casa e, depois, na Superintendência da Polícia Federal e na Papudinha, dezenas de autoridades, deputados, senadores e governadores.
Nesses encontros, articulou filiações a seu partido, elaborou a construção de candidaturas para as eleições deste ano e definiu que o senador Flávio Bolsonaro (PL), seu filho mais velho, seria o seu candidato à Presidência da República.
Flávio e Carlos Bolsonaro continuarão a exercer a ponte entre o ex-presidente e a classe política nos próximos meses. Os dois, assim como o vereador Jair Renan podem seguir visitando o pai duas vezes por semana por duas horas.
Segundo a decisão de Moraes, Michelle, Laura Bolsonaro e Letícia Marianna Firmo da Silva (enteada de Bolsonaro) não precisam de autorização porque moram na mesma casa.
Bolsonaro não poderá usar celular, telefone ou qualquer outro meio de comunicação externa “diretamente ou por intermédio de terceiros. Os celulares de quem for visitar o expresidente deverão ficar com os agentes policiais.
O ex-presidente não poderá usar redes sociais nem ter fotos e vídeos divulgados.
Aliados de Tarcísio de Freitas e de Michelle Bolsonaro nutrem uma esperança remota de que a prisão domiciliar leve o ex-presidente Jair Bolsonaro a desistir de lançar o filho Flávio ao Palácio do Planalto em 2026.
A aposta desses aliados de Tarcísio e de Michelle é de que, em casa, a ex-primeira-dama convença o marido a mudar de ideia e a lançar ela ou o governador paulista como candidato à Presidência da República.
Para poder concorrer ao Palácio do Planalto, Tarcísio teria de renunciar ao governo de São Paulo até 4 de abril. O registro da candidatura, porém, só pode ser feito no mês de agosto.
Apesar da esperança dos aliados de Tarcísio e de Michelle, lideranças do PL e caciques do Centrão consideram remotas as chances de Bolsonaro trocar seu candidato a essa altura do campeonato.
Créditos: Poder360, CNN Brasil e Metrópoles



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