Aliados de Flávio calibram o tom sobre Ciro Nogueira e dizem que aguardam “a vez” do PT
- Jason Lagos
- há 5 dias
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Ciro Nogueira já gravitou da base de apoio de governos petistas para a chefia da Casa Civil de Bolsonaro
Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, afirmam que a ação contra o presidente do Progressistas, senador Ciro Nogueira (PP-PI), alvo da quinta fase da Operação Compliance Zero nesta quinta-feira (7), já estava precificada e dizem aguardar "a vez" do PT entrar na mira da PF (Polícia Federal).
O grupo tenta calibrar uma distância do caso para evitar respingos na pré-campanha, enquanto afirma ser uma questão de tempo para que a investigação avance sobre integrantes do PT da Bahia por suspeita de ligação com o empresário Augusto Lima, sócio de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Nas palavras de um interlocutor da campanha, neste momento a federação PP-União precisa mais da aliança do que Flávio, que já tem conseguido avançar com palanques estaduais com o PL, partido que tem a maior bancada na Câmara dos Deputados.
A federação ainda não declarou apoio a Flávio, embora esse seja o caminho natural até as convenções, de acordo com quatro integrantes de PP e União Brasil.
O posto de vice está vago, entre outros motivos, porque havia a expectativa de que o caso Master pudesse chegar a aliados importantes como Ciro Nogueira. Há receio na campanha de Flávio de que o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, também seja alvo das investigações.
Seguindo a cautela pregada por seus aliados, Flávio inicialmente divulgou uma nota em que comenta a operação, mas não defende Ciro e evita se posicionar, aparentando um distanciamento.
"O senador Flávio Bolsonaro acompanha com atenção e considera graves as informações divulgadas pela imprensa. Entendemos que fatos dessa natureza devem ser apurados com rigor e transparência pelas autoridades competentes, sempre com respeito ao devido processo legal. Confiamos na relatoria do caso Master, conduzida pelo ministro André Mendonça, e esperamos uma ampla apuração", diz o texto.
Depois, à noite, o senador divulgou um vídeo no qual defende a abertura da CPI do Master, cuja instalação foi travada pelo presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (Uniao Brasil-AP), em acordo com a oposição. Na gravação, ele busca associar o caso Master a aliados de Lula.
"O Brasil merece saber toda a verdade. Como o banco cresceu, quem estava por trás e quais são as ligações do Master com a alta cúpula nacional do PT e da Bahia. Não podemos deixar que empurrem esse assunto para debaixo do tapete. CPI do Master já", afirmou.
Ciro Nogueira já gravitou da base de apoio de governos petistas para a chefia da Casa Civil de Bolsonaro e tentou o apoio de Lula (PT) neste ano após fracassar na tentativa de ser vice do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) em uma possível chapa presidencial.
Caso outros políticos e partidos também sejam alvos de suspeitas graves como as de Ciro, que a PF acusa de ter recebido pagamentos mensais de Vorcaro para atuar a favor dos interesses do Master, a opinião de pessoas ao redor de Flávio é a de que seria possível ter o PP na vice, dado que o escândalo ficaria generalizado.
Nos EUA, ao ser questionado, o presidente Lula evitou se aprofundar na investigação e, sem citar Ciro Nogueira nominalmente, disse esperar que todos os investigados sejam inocentes. "A Polícia Federal cumpriu uma decisão judicial. Eu espero que todas as pessoas investigadas sejam inocentes", afirmou Lula.
Líder da oposição na Câmara, o deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB) afirma que a direita defende o avanço das investigações e questiona o interesse político por trás da operação contra o presidente do PP. "O filho do Lula [PT] recebeu mesada e não teve operação. Também era para ter operação na casa do [ministro do STF] Alexandre de Moraes", diz.
O parlamentar afirma ainda que a oposição defendeu a CPI do Banco Master desde o início, e tenta descolar a campanha de Flávio do ex-ministro de Bolsonaro. "O Ciro também foi aliado do PT, e aí? Ele é centrão. Centrão é centrão, não é direita", afirma.
A operação desta quinta reforçou a dúvida que já existia entre alguns aliados de Flávio a respeito das vantagens de uma coligação com PP e União Brasil. Parte dos integrantes da campanha afirma que o PL, sozinho, já tem verba, tempo de TV e palanques pelo país suficientes para alavancar Flávio - hoje numericamente à frente de Lula nas projeções de segundo turno - mesmo sem o embarque formal do centrão.
Dentro do PP, a possibilidade de afastamento de Ciro da presidência do partido para evitar desgaste eleitoral é descartada.
Créditos: CNN Brasil e Folha de SP


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