Alexandre de Moraes ordena busca e apreensão contra fonte de jornalista no Maranhão
- Jason Lagos
- há 2 dias
- 3 min de leitura

Em março, Moraes já havia autorizado uma primeira busca e apreensão contra o próprio jornalista
O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou nesta terça-feira (11) uma operação de busca e apreensão contra Raimundo Cutrim, ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão, apontado como fonte do jornalista Luís Pablo em reportagens sobre uso de carros oficiais pelo ministro Flávio Dino e familiares. O advogado do jornalista também foi alvo da medida.
O caso tem origem em reportagens publicadas por Pablo e críticas ao uso de viaturas do Tribunal de Justiça do Maranhão por familiares de Dino.
Em março, Moraes já havia autorizado uma primeira busca e apreensão contra o próprio jornalista, citando indícios do crime de perseguição (art. 147-A do Código Penal) e possível relação com o inquérito das fake news. Os equipamentos apreendidos (celulares, notebook e HD) foram devolvidos em abril, após a PF concluir a extração dos dados.
Foi a partir da análise desse material que a investigação identificou Cutrim como a fonte das reportagens, segundo a decisão. A nova operação foi pedida pela Polícia Federal e teve aval da PGR (Procuradoria-Geral da República).
Em nota, os advogados José Berilo de Freitas Leite Filho e José Berilo de Freitas Leite Neto afirmam que ainda não têm acesso à íntegra dos autos, que tramitam sob sigilo no STF.
A defesa reconhece que a diligência está relacionada às reportagens sobre os carros oficiais e afirma haver "preocupação técnica" com a exposição de uma fonte jornalística, citando o sigilo garantido pelo artigo 5º, inciso XIV, da Constituição.
Procurado, o jornalista Luís Pablo negou ter perseguido o carro do ministro ou de familiares, afirmou que a informação sobre o uso do veículo oficial é fato comprovado e negou ter recebido pagamento para publicar as reportagens.
A assessoria do ministro nega qualquer irregularidade no uso do veículo, afirmando que se tratava de um carro blindado cedido pela Secretaria de Segurança do STF, dentro de acordo de cooperação com tribunais do país.
Aliados de Dino também disseram à CNN Brasil que o carro particular do ministro era seguido e que o jornalista teria cobrado R$ 100 mil para publicar as reportagens, informação negada por Luís Pablo.
Também nesta terça-feira (11), o presidente do Partido da Causa Operária, Rui Costa Pimenta, candidato à Presidência da República, foi alvo de uma operação da Polícia Federal. A suspeita é de desvio de dinheiro dos fundos partidário e eleitoral.
A operação foi autorizada pela Justiça Eleitoral do Distrito Federal. Segundo as investigações, os indícios de irregularidade surgiram após análise de prestações de contas do partido. A PF fez buscas em quatro endereços ligados ao PCO, em São Paulo.
O presidente do partido, Rui Costa Pimenta, foi afastado das atividades administrativas do PCO por seis meses. Ele não está proibido de concorrer nas eleições. O filho dele, João Pimenta, responsável pela comunicação do partido, também foi alvo da operação.
Na operação, a Justiça também determinou o bloqueio de até R$ 4,5 milhões dos investigados. João Pimenta se declarou surpreso e disse que não teve remuneração do partido nem pertence ao quadro de nenhuma das empresas contratadas pela agremiação.
“A intenção é nos prejudicar, inclusive eleitoralmente. A acusação parece que se baseia na seguinte questão que os juízes acharam muito estranho: que essas empresas são empresas dirigidas por militantes do PCO. Só que ocorre o seguinte: o juiz pode achar estranho, mas não é ilegal. Não é ilegal. Ninguém disse em lugar nenhum do mundo, não está na lei eleitoral, não está no regulamento do TSE que você é obrigado a contratar empresas de pessoas que não têm vinculação partidária”, afirmou o dirigente.
Créditos: CNN Brasil e G1




Comentários