Alcolumbre e PT da Bahia aparecem em novo capítulo das revelações de Daniel Vorcaro
- Jason Lagos
- há 2 horas
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A PF rejeitou formalmente a segunda proposta de delação premiada apresentada por Daniel Vorcaro
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, teria realizado um pagamento de 30 milhões de dólares (R$ 155 milhões) ao senador Davi Alcolumbre (União Brasil – AP), presidente do Congresso Nacional, por meio de uma conta secreta no exterior, em troca de apoio a uma demanda de interesse da instituição financeira, segundo reportagem da Veja.
A revelação faria parte de uma possível delação de Vorcaro à Polícia Federal (PF). A última foi rejeitada oficialmente pela corporação nesta quinta, 11.
De acordo com a reportagem, o pagamento a Alcolumbre teria sido operacionalizado por Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro. O ex-banqueiro também teria se colocado à disposição para prestar esclarecimentos sobre negócios envolvendo o PT da Bahia, especialmente sobre o ex-ministro da Casa Civil e atual governador da Bahia, Rui Costa.
A relação entre Vorcaro e o grupo político baiano teria começado em 2007, durante o governo de Jacques Wagner, por meio da iniciativa batizada de Cesta do Povo.
O programa foi criado para permitir que servidores públicos estaduais realizassem compras em mercados populares com desconto direto na folha de pagamento.
Com a entrada de Vorcaro na operação, o CredCesta tornou-se uma das principais modalidades de crédito consignado da Bahia.
Em 2022, já durante a gestão de Rui Costa, sucessor de Wagner no governo estadual, um decreto restringiu a portabilidade dessas dívidas para outras instituições financeiras, medida que ampliou a presença da empresa no setor.
Com isso, o governo do PT na Bahia teria se tornado um dos principais parceiros de Vorcaro, que, segundo a reportagem, ainda não detalhou o funcionamento da operação.
A PF rejeitou formalmente a segunda proposta de delação premiada apresentada por Daniel Vorcaro. A decisão de não acatá-la já foi comunicada à defesa do banqueiro, que está preso preventivamente, investigado por fraudes financeiras envolvendo o Master.
Vorcaro não somente deixou de apresentar fatos novos em relação à sua proposta de delação como também classificou como “normal” algumas operações apontadas como suspeitas por integrantes da PF.
O banqueiro classificou como absolutamente lícitos os pagamentos para o senador Ciro Nogueira (PP-PI). Para Vorcaro, os dois eram amigos e, por isso, ele custeou despesas pessoais do parlamentar como, inclusive, as férias dele na Europa.
A nova investida para tentar fechar um acordo de delação partiu da defesa de Vorcaro. O banqueiro já teria se comprometido a, por exemplo, aumentar o valor de recursos a serem devolvidos aos cofres públicos. Na primeira proposta, era algo em torno de 40 bilhões de reais; agora, fala-se em 60 bilhões.
As negociações somente foram retomadas após o dono do Master se comprometer a entregar novos nomes e, de fato, colaborar com as investigações. A primeira proposta foi rejeitada porque os policiais entenderam que as informações prestadas por Vorcaro pouco colaborariam nos inquéritos que estão em curso.
Integrantes da PF avaliaram que o material apresentado por Vorcaro na primeira proposta era frágil. Apesar da negativa em relação à segunda por parte da corporação também, o preso segue nas negociações para fechar um acordo de delação premiada com a PGR.
Preso preventivamente desde 4 de março de 2026 no âmbito da Operação Compliance Zero, Vorcaro foi retirado em 18 de maio da acomodação especial na Superintendência da PF Brasília e passou a ocupar uma cela destinada a presos em trânsito na mesma unidade. Depois, ele foi transferido para a Papuda.
A Operação Compliance Zero, que motivou a prisão, apura suspeitas de fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e pagamento de vantagens indevidas envolvendo o Banco Master.
Presidente do Congresso, o senador Davi Alcolumbre divulgou nota, nesta quinta, para negar que tenha recebido dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro. Na nota, Alcolumbre diz que as informações do banqueiro são “absolutamente falsas” e promete acionar a Justiça para que Vorcaro responda pelos “danos causados”.
Interlocutores de Daniel Vorcaro disseram à CNN ter a avaliação de que a Polícia Federal "nunca" quis fazer uma delação premiada com o banqueiro. A leitura é de que tanto na primeira tentativa quanto na segunda a instituição atuou de maneira pro forma, sem dar andamento real às tratativas nem demonstrando interesse em fechar um acordo.
Os aliados do banqueiro contestam ainda a justificativa da PF de que a segunda versão da proposta era frágil e sem substância como integrantes da PF afirmaram nos bastidores. Ao contrário, dizem que no documento apresentado Vorcaro se auto-incrimina, faz confissões e que há revelações que implicam possíveis práticas delitivas de autoridades. Afirmam também que a nova versão traz fatos inéditos que a Polícia Federal não conhecia.
A CNN mostrou no começo de junho que a nova versão alcançava autoridades dos Três Poderes e da oposição.
Créditos: O Antagonista, Veja e CNN Brasil



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