Valdemar nega desvio em emendas e diz que 'nem se acertasse na Mega-Sena' teria R$ 119 milhões
- Jason Lagos
- há 4 horas
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Os recursos foram liberados pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2024 e 2025
O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, afirmou no sábado (11) que sempre faz "sugestões" de aplicação de emendas parlamentares aos membros da legenda. As declarações ocorreram um dia após o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), ter determinado o bloqueio de até R$ 119 milhões de bens de Valdemar por suspeitas da Polícia Federal de desvio de 21 emendas parlamentares, mesmo sem que o presidente do PL exerça mandato eletivo.
"O bloqueio que fizeram, de R$ 119 milhões, eu não tenho esse dinheiro. Nem que eu acertasse duas vezes na loteria, eu teria esse dinheiro. R$ 119 milhões é o valor total das emendas que foram doadas", declarou Valdemar.
Os recursos foram liberados pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2024 e 2025. Dino decidiu que a suspensão das emendas indicadas na representação policial fosse imediata, estivessem elas em fase de empenho, liquidação ou pagamento.
"Nós sempre fazemos sugestões dessas emendas. Veja bem, eu tenho o pleito de muitos prefeitos do Brasil, eles vão falar com a presidência (do PL) porque os recursos que os deputados têm não são suficientes", declarou Valdemar.
O presidente do PL continuou: "Então, nós sugerimos para a liderança e para as comissões, porque nós temos várias comissões, pelo tamanho da bancada - por exemplo, a comissão de Saúde é nossa, que tem verba própria também - então nós sugerimos que possa doar para esses municípios. E é nisso que eu entro. Isso é só política, não tem outra coisa".
Valdemar disse ainda que "é normal" a prática de sugerir a aplicação das emendas. "Eu tenho que receber os prefeitos e avalio onde, quem precisa mais, quem precisa menos, e dividimos uma parte. Uma parte, os deputados cedem, uma parte das emendas deles, nas comissões também", detalhou. "E aí nós indicamos, sugerimos que deem o dinheiro, que passe o dinheiro da saúde, passe dinheiro para as ações da prefeitura, para obras, para que o cidadão possa receber esses recursos. Isso é normal em todo partido político."
O presidente do PL acrescentou: "E esse pessoal, quando não tem ajuda, eles pedem para o presidente do partido, porque eu tenho mais força com os deputados. Eles deixam uma parcela para a liderança fazer. Quem faz a indicação é o líder", disse. "Então ele atende as sugestões que eu mando, as que são possíveis. E também eu não peço o impossível, porque eu tenho experiência do que eu posso pedir, onde que nós podemos chegar, para que se possa atender a esses prefeitos".
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), manifestou "inconformismo" com a decisão de Dino, que classificou de inaceitável, e disse ver intervenção indevida do Judiciário em atividade típica do Poder Legislativo.
A investigação conduzida pelo ministro Flávio Dino (STF) sobre o suposto direcionamento irregular de emendas parlamentares envolvendo o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, também alcança deputados federais que aparecem como autores formais das indicações.
Segundo a decisão do magistrado, a Polícia Federal (PF) deverá apurar se esses parlamentares participaram das condutas investigadas, tinham conhecimento delas ou se tiveram seus nomes utilizados sem saber para dar aparência de legalidade às destinações das verbas.
A defesa do ex-deputado e ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha negou todas as acusações imputadas ao ex-parlamentar na decisão do ministro Flávio Dino. De acordo com a nota, Cunha descobriu sobre a investigação e as medidas pela imprensa. O ex-deputado é acusado de indicar, de forma ilegal, emendas parlamentares.
Créditos: Estadão, CNN Brasil e Correio da Manhã




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