Setor empresarial lamenta novo tarifaço de 25%, e Fiesp dispara contra governo Lula

A Fiesp afirma que a retaliação comercial podia ter sido evitada com uma condução técnica e pragmática
As primeiras manifestações dos industriais brasileiros sobre a nova sobretaxa de 25% aplicada pelo governo Donald Trump ao Brasil na noite desta quarta-feira (15) indicaram forte apreensão. No caso da indústria paulista, a Fiesp (federação que representa o setor) culpa o governo Lula (PT).
Mais de 2.100 produtos estão isentos das novas taxas dos Estados Unidos. São listadas ainda 12 categorias que estavam na mira das investigações, mas escaparam, como o café solúvel, certos produtos de pescado (como o filé de tilápia), couro, peles e peles com pelo, obras de arte, entre outros.
Por outro lado, setores que já estavam sobretaxados em 10% e pleitearam isenção foram recusados. É o caso de móveis, calçados, têxtil, tabaco, madeira (coníferas), e mel convencional (exceto orgânico, que foi isento). A indústria de armas e munições não pleiteou redução, mas sofrerá com o incremento de 25%.
A regra de não duplicação será aplicada a setores com peso na balança comercial, como o aço e alumínio, que estavam enquadrados em outra base de investigação, com taxação de 50%.
A CNI (Confederação Nacional da Indústria) avalia que a sobretaxa agrava um cenário que já vinha pressionando as exportações nacionais, além de ampliar a insegurança para as empresas do Brasil e dos Estados Unidos.
"Os efeitos do aumento de tarifas dos Estados Unidos estão sendo cada vez mais sentidos pela indústria brasileira: 20 dos 27 estados reduziram exportações ao mercado norte-americano no primeiro semestre. Diante do anúncio de hoje, o cenário tende a piorar, corroendo ainda mais a competitividade da indústria brasileira", afirma o presidente da CNI, Ricardo Alban.
Cálculos da confederação indicam que, desde a adoção das tarifas no ano passado, as exportações brasileiras para os EUA caíram 13%, o equivalente a US$ 2,6 bilhões.
A retração foi influenciada pela redução de 8,7% nas vendas de bens industriais, principalmente manufaturados de ferro e aço, ferro fundido bruto, pasta química de madeira não conífera, óleos de petróleo e produtos semimanufaturados de outras ligas de aço.
Apesar da queda, os Estados Unidos seguem como o principal destino das exportações da indústria de transformação do Brasil.
Em nota, a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) disse "lamentar, com profunda preocupação", a aplicação de uma nova sobretaxa às exportações de produtos brasileiros. Para a entidade, a decisão é "especialmente prejudicial por se limitar de forma unilateral ao Brasil, o que reduz significativamente a competitividade do país perante concorrentes globais".
Liderada por Paulo Skaf, a Fiesp afirma que a retaliação comercial poderia ter sido evitada com uma "condução técnica e pragmática".
Diz também que em um momento de sensibilidade econômica mundial, a "opção do governo brasileiro por ruídos diplomáticos desnecessários, críticas personalistas, discursos eleitorais e desalinhamento político com Washington" minaram vínculos construídos ao longo de 200 anos cooperação bilateral.
"O mercado norte-americano é o principal destino de produtos brasileiros de alto valor agregado. Esse novo ‘pedágio’ imposto às exportações se soma à crônica realidade enfrentada pelas nossas empresas, que convivem com alta carga tributária e com as taxas de juros reais mais elevadas do mundo, entre outros desafios", disse Skaf em nota.
A Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais) disse que a medida anunciada pelos EUA cria uma diferença relevante em relação a fornecedores de outros países que disputam os mesmos compradores. O impacto efetivo, no entanto, vai depender dos produtos alcançados pela nova sobretaxa, da classificação tarifária de cada mercadoria e do tratamento concedido aos concorrentes internacionais.
O temor é o mesmo do tarifaço iniciado há um ano: a possível substituição de fornecedores brasileiros em mercados já estabelecidos; a pressão pela redução de preços e margens; e a renegociação de contratos, prazos e condições comerciais.
A federação ainda falou sobre a necessidade de intensificar as negociações com os Estados Unidos visando a garantia de regras claras para contratos já firmados, cargas em trânsito e período de implementação das taxas. Isso evitaria uma "perda prolongada" de competitividade para os industriais brasileiros.
Pelas regras anunciadas nessa quarta-feira, a tarifa de 25% começa a valer a partir de 22 de julho. Produtos que forem embarcados antes dessa data e chegarem aos EUA até o dia 29 ficam isentos.
Créditos: Folha SP




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