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Print acidental expõe assessor de comunicação de Michelle oferecendo materiais a site petista

  • Foto do escritor: Jason Lagos
    Jason Lagos
  • 27 de jul.
  • 5 min de leitura

Erro operacional expôs a tela de conversas do WhatsApp de quem estava gravando o vídeo de Michelle


Resumo da matéria:


O vídeo de reconciliação entre Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro circulou no dia 23 de julho. Nos segundos finais, um erro operacional expôs a tela de conversas do WhatsApp de quem estava gravando.


Na lista aparecem três contatos de peso:


1- André Costa, assessor de comunicação de Michelle Bolsonaro.


2- Gisely Siqueira, secretária de Comunicação do STF apontada por Eduardo Tagliaferro como operadora de censura no TSE.


3- E um grupo de comunicação da campanha de Zema. O celular pertence a um jornalista identificado como “Leo”, vinculado ao Brasil 247, site abertamente aliado de Lula.


O mesmo André Costa que, em dezembro de 2025, usou sua lista de transmissão para desacreditar a pré-candidatura de Flávio — e agora oferece essa mesma lista a um veículo de linha editorial oposta ao bolsonarismo.


A íntegra da matéria:


O vídeo de reconciliação entre Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro, que circulou nas redes em 23 de julho de 2026, guarda nos seus segundos finais um detalhe que passou despercebido pela maioria: a tela de conversas do WhatsApp de quem gravava o material.


O erro operacional — a continuidade automática de reprodução de stories no aplicativo — expôs uma lista de contatos que conecta a assessoria de comunicação de Michelle Bolsonaro, a Secretaria de Comunicação do Supremo Tribunal Federal (Secom-STF) e o núcleo de comunicação do governador de Minas Gerais, Romeu Zema. Não é apenas curiosidade de bastidor: é o registro de canais reais entre assessorias que, publicamente, se posicionam em lados opostos do tabuleiro político.


O material gravado em tela era um status (story) do WhatsApp de André Costa, identificado na agenda salva como “Ascom Michelle Bol.”, contendo um trecho de Michelle Bolsonaro falando sobre ter se recolhido e tentado se afastar das articulações políticas, num discurso de aceitação do pedido de desculpas de Flávio.


A crise entre os dois havia se tornado pública em 23 e 24 de junho, quando Michelle acusou Flávio de tê-la “maltratado e humilhado”, e se arrastou por um mês até o gesto final de desculpas do senador, em 22 de julho.


Na tela final da gravação, aparece uma lista de conversas do WhatsApp pertencente a um jornalista de nome “Leo” vinculado ao Brasil 247 — hipótese reforçada pelo fato de um dos contatos, identificado como Homero Gottardello (colaborador do blog do 247 em Belo Horizonte), tratá-lo como “Leozaço, meu craque”.


O Brasil 247 foi fundado em 2011 por Leonardo Attuch, que atualmente acumula a função de editor-responsável do site e da TV 247, veículos identificados por linha editorial alinhada ao Partido dos Trabalhadores.


Entre os contatos salvos na tela aparecem três nomes de relevância direta: André Costa, salvo como “Ascom Michelle Bol.”, que enviou mensagem às 14h56 dizendo “Será um prazer receber os materiais da sua lista de transmissão e conhecê-lo”; um contato salvo como “Gisely STF”, cuja última mensagem, às 15h55, foi apenas “Obrigado”; e um grupo chamado “Comunicação Zema”, com mensagem de 15h49 registrando a adição de um número por “Igor Tinoco”.


A mensagem final da conversa entre André Costa e o jornalista do Brasil 247, registrada na tela às 14h56, mostra a resposta de “Leo” a uma oferta do assessor: “Será um prazer receber os materiais da sua lista de transmissão e conhecê-lo”.


O conteúdo indica que foi André Costa quem propôs, em mensagem anterior não capturada no print, compartilhar o conteúdo distribuído por sua lista de transmissão com o jornalista — e que Leo aceitou de bom grado, somando ainda o interesse em um encontro pessoal com o coronel. O gesto não é um episódio isolado: é a continuação de um padrão de conduta já documentado em dezembro de 2025.


No dia 5 daquele mês, por volta das 17h23, ainda antes da confirmação oficial da candidatura de Flávio, Costa disparou para sua própria lista de transmissão uma mensagem desacreditando a notícia: "Pergunte se alguém ouviu a voz de Bolsonaro. Pergunte se alguém leu uma carta de Bolsonaro. Esquece!", classificando a reportagem de "ridícula" e afirmando que "Michelle não fala com a imprensa para dar esse tipo de informação".


O timing foi desastroso: minutos depois, a própria Michelle publicou um recado desejando a Flávio sabedoria em sua "nova missão pelo nosso amado Brasil" — confirmando exatamente o que seu assessor havia chamado de ridículo. Procurado pela coluna de Igor Gadelha, no Metrópoles, Costa recuou: "Foi antes de saber da confirmação. Agora está tudo confirmado. A gente não acerta sempre".


O detalhe que agrava o episódio é o currículo do assessor: coronel da Polícia Militar, André Costa já havia chefiado a própria Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) durante o governo Jair Bolsonaro, o que torna o deslize incomum para alguém com histórico de gestão de crise em alto escalão.


O caso não parou ali. Ao longo de dezembro, parlamentares do PL passaram a reclamar de repostagens de Costa em suas redes: em 13 de dezembro, ele compartilhou uma pesquisa Quaest apontando que 62% dos entrevistados não votariam em Flávio, e trechos de uma entrevista do pastor Silas Malafaia ao Metrópoles defendendo que o senador recuasse da candidatura em favor de nomes como o do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.


Questionado, Costa negou oposição ao senador, dizendo estar “fechado” com ele, e atribuiu as repostagens a curtidas automáticas em perfis que segue “para ajudar no engajamento”.


Esse histórico é o que dá peso ao gesto registrado na tela do WhatsApp em julho de 2026: a mesma lista de transmissão usada, em dezembro, para descreditar a candidatura de Flávio antes da confirmação oficial, está sendo oferecida deliberadamente a um jornalista de veículo com linha editorial oposta ao bolsonarismo — indício de conduta recorrente, não de deslize isolado.


O contato salvo como “Gisely STF” corresponde a Giselly Siqueira, atual secretária de Comunicação Social do Supremo Tribunal Federal, nora da jornalista Míriam Leitão e esposa de Vladimir Netto, repórter da TV Globo.


O perito Eduardo Tagliaferro disse em depoimento no Senado que Giselly atuava como “filtro estratégico” na Secretaria de Comunicação do TSE durante as eleições de 2022, recebendo demandas de remoção de conteúdo por WhatsApp e mensagens diretas, fora dos trâmites oficiais, e repassando-as ao núcleo próximo do ministro Alexandre de Moraes.


Giselly assumiu a Secom do STF em 30 de julho de 2025 e segue no comando durante a gestão de Edson Fachin, com Moraes como vice-presidente da Corte a partir de 29 de setembro.


Casos posteriores reforçam o padrão: em 6 de março de 2026, a Secom emitiu nota, a pedido do gabinete de Moraes, negando que o ministro tivesse recebido mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro no dia da primeira prisão dele, em 17 de novembro de 2025 — a nota não resistiu 24 horas, já que O Globo reafirmou, no dia seguinte, que as mensagens foram extraídas do celular de Vorcaro por análise técnica da própria Polícia Federal, com identificação clara do destinatário.


O terceiro elemento da tela, “Comunicação Zema”, remete ao núcleo de assessoria de imprensa do governador de Minas Gerais, Romeu Zema, cuja mensagem mais recente registra a adição de um novo número ao grupo por “Igor Tinoco”.


A presença desse grupo na mesma lista de contatos de um jornalista do 247 é significativa porque Zema é pré-candidato e figura de proa do campo de centro-direita, formalmente distante tanto do bolsonarismo quanto do lulismo — o que, somado aos outros dois contatos, sugere um canal de trânsito de informação que atravessa três campos políticos supostamente incomunicáveis entre si.




Créditos: canal Investigação, do jornalista David Ágape

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