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Pesquisas recentes apontam que favoritismo na disputa estadual passou de João Campos para Raquel Lyra

  • Foto do escritor: Jason Lagos
    Jason Lagos
  • há 16 horas
  • 3 min de leitura

A ascensão de Raquel Lyra nas pesquisas já estava nos cálculos de especialistas em opinião pública


Apontado até poucos meses atrás como o favorito na disputa pelo governo de Pernambuco, o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) viu sua vantagem sobre a governadora Raquel Lyra (PSD) derreter em um intervalo curto de tempo.


Impulsionada pela melhora na avaliação de sua gestão, a chefe do Executivo estadual assumiu a dianteira nas pesquisas antes mesmo do início oficial da campanha, levando o adversário a intensificar a pressão por um apoio explícito do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).


A ascensão de Raquel nas pesquisas já estava nos cálculos de especialistas em opinião pública, visto que o incumbente – aquele que tem a “caneta” na mão – costuma crescer no ano da eleição. A surpresa foi a rapidez com que esse movimento aconteceu.


Na pesquisa Datafolha desta semana, a governadora aparece à frente do adversário no segundo turno, com 51% das intenções de voto contra 44% do pessebista. Em comparação com o mês anterior, Raquel cresceu 9 pontos, enquanto João Campos recuou 8.


As pesquisas mais antigas ajudam a entender o tamanho da reviravolta. Em agosto do ano passado, o levantamento da Quaest mostrava o então prefeito do Recife com 31 pontos de vantagem sobre Raquel no primeiro turno.


À época, a governadora enfrentava ceticismo até mesmo entre aliados sobre suas chances de reeleição. No levantamento mais recente do instituto, do mês passado, a vantagem havia encolhido para apenas 8 pontos.


Na Quaest, a melhora na performance eleitoral de Raquel veio acompanhada de um salto de 11 pontos na aprovação da sua gestão (62%) – e este, segundo especialistas, costuma ser o principal termômetro das chances de reeleição de um governante.


A pesquisa Datafolha mostra 67% de aprovação do governo estadual. Ao mesmo tempo, a avaliação ótimo ou bom subiu de 40% para 45%. O dado mais expressivo está na queda do ruim ou péssimo, que despencou de 38% para 16%.


Em campanhas majoritárias, um dos pontos mais importantes é a rejeição à administração pública, principalmente com o candidato sentado na cadeira. A reeleição carrega a ideia de um referendo onde o eleitor diz se concorda em dar mais quatro anos ao gestor ou não. Quanto menor a rejeição, maior a chance de ele receber um "prolongamento de mandato".


O ex-prefeito do Recife liderava uma gestão bem avaliada na capital, mas precisou deixar a prefeitura por obrigação da legislação eleitoral para disputar o governo. Desde então, intensificou agendas no interior, ampliou presença política fora da Região Metropolitana e passou a tentar nacionalizar mais a própria imagem. Até agora, porém, os números não lhe foram favoráveis.


João saiu de uma posição em que aparecia perto de vencer no primeiro turno para um cenário de empate técnico em desvantagem numérica. Também passou a enfrentar um crescimento da própria rejeição, que foi de 25% para 29%, enquanto a de Raquel caiu de 29% para 25%. No segundo turno, a vantagem de Lyra agora é ainda maior, fora da margem de erro.


Existe uma diferença estrutural importante entre os dois principais candidatos ao governo do Estado. João deixou a cadeira que lhe dava visibilidade administrativa diária e capacidade permanente de entrega política na capital. Raquel continua no exercício do cargo, inaugurando obras, anunciando investimentos, ampliando programas e ocupando institucionalmente o espaço de governo.


A pesquisa Datafolha da quinta-feira passada deverá ser interpretada nos bastidores políticos como uma virada de chave da eleição pernambucana. O favoritismo que durante muitos meses esteve concentrado em João Campos agora passa a migrar para Raquel Lyra.


Isso não significa, porém, uma eleição resolvida. Faltam mais de quatro meses para o voto na urna e campanhas majoritárias longas costumam produzir oscilações importantes.



Créditos: Estadão e JC Online (Coluna de Igor Maciel)

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