Pesquisa Real Time Big Data consolida Flávio Bolsonaro como o principal nome da oposição
- Jason Lagos
- há 2 horas
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O crescimento de Flávio ocorre de forma rápida e quase automática, mesmo sem campanha estruturada
A mais recente pesquisa do instituto Real Time Big Data trouxe um sinal claro de reorganização no campo oposicionista para a disputa presidencial de 2026. O senador Flávio Bolsonaro aparece como o nome mais competitivo fora do campo governista, com um desempenho que chamou a atenção dos analistas pelo ritmo acelerado de crescimento entre os diferentes cenários do levantamento.
No primeiro cenário do levantamento, Lula aparece com 39% das intenções de voto, seguido pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com 30%. O governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), surge em terceiro lugar com 10% do eleitorado nacional.
Na sequência, tecnicamente empatados na quarta posição, aparecem os nomes do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), com 3%; do ex-ministro Aldo Rebelo (DC), com 2%; e do fundador do Movimento Brasil Livre (MBL), Renan Santos (Missão), com 1%. Votos brancos e nulos representam 7% do total, e outros 8% não souberam ou preferiram não responder à pesquisa.
Caso o candidato do PSD à presidência seja o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, o gaúcho ficaria com 5% das intenções de voto — a situação configura empate técnico na terceira posição entre Leite, Zema, Rebelo e Santos. Nesta simulação, Lula oscila para 40% do eleitorado e Flávio Bolsonaro aparece com 32% do total.
O cenário muda pouco se o PSD optar pela candidatura de Ronaldo Caiado, governador de Goiás, que pontuaria 6% nas urnas e empataria com Zema e Rebelo. Também neste caso, Lula surge com 40% e Flávio com 32% das intenções de voto.
A pesquisa trouxe um sinal fora da curva para esta fase do calendário eleitoral. Em comentário no programa Ponto de Vista, o colunista Mauro Paulino chamou atenção para um número que costuma passar despercebido, mas que pode dizer muito sobre o cenário de 2026: o percentual de indecisos.
Com 31% dos entrevistados afirmando que ainda não sabem em quem votar no cenário da pesquisa espontânea, sem apresentação dos nomes dos candidatos, o índice aparece abaixo da média histórica para um momento em que a eleição ainda está distante. Para Paulino, o dado indica que o eleitor já está mais conectado à disputa — e com nomes bem definidos no topo da mente.
Segundo Paulino, em pesquisas espontâneas feitas com cerca de oito meses de antecedência, é comum que o número de indecisos seja bem maior. O patamar atual sugere que mais da metade do eleitorado já tem um candidato espontâneo, sem precisar ser estimulado por uma lista de nomes.
Esse fator ajuda a explicar a largada forte de Luiz Inácio Lula da Silva, que aparece com 28% na espontânea e salta para 39% na estimulada — um crescimento relevante, mas dentro do esperado para um presidente em exercício.
O dado mais expressivo, porém, está do outro lado da polarização. Flávio Bolsonaro parte de 14% na pesquisa espontânea e chega a 30% quando os nomes são apresentados aos eleitores. Na leitura de Paulino, trata-se de um fenômeno raro.
“O sobrenome Bolsonaro demonstra uma força inédita de transferência de votos”, avaliou o colunista. Diferentemente de heranças políticas tradicionais, o crescimento de Flávio ocorre de forma rápida e quase automática, mesmo sem uma campanha estruturada ou um lançamento formal de candidatura.
Outro ponto destacado na análise é o chamado “teto eleitoral”. De acordo com Paulino, os números indicam que Lula já opera próximo de seu limite máximo de intenções de voto, especialmente nas simulações de segundo turno, onde oscila perto de 49%. No caso de Flávio Bolsonaro, o teto ainda é desconhecido.
A pesquisa Real Time Big Data ouviu 2.000 eleitores em municípios de todas as regiões do Brasil entre os dias 6 e 7 de fevereiro de 2026. A margem de erro é estimada em 2 pontos percentuais (pp), para mais ou para menos. O estudo está registrado junto à Justiça Eleitoral sob o código BR-06428/2026.
Créditos: Revista Veja




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