Para ex-presidente da Câmara, Tarcísio seria um adversário mais fácil para Lula do que Flávio Bolsonaro
- Jason Lagos
- há 12 horas
- 2 min de leitura

“Eu não sei direito por que comemoraram. A candidatura do Tarcísio era mais fácil de ser derrotada"
Conselheiro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ex-presidente da Câmara, João Paulo Cunha diz que o PT errou ao comemorar a escolha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como adversário na disputa presidencial. Para ele, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), seria um candidato mais fácil de derrotar.
“Eu não sei direito por que comemoraram. Do meu ponto de vista, a candidatura do Tarcísio era mais fácil de ser derrotada do que a do Flávio. É o contrário. Nos períodos recentes, governador de São Paulo não ganha eleição no Brasil. O padrão cultural de gestão paulista não entra no Brasil”, sustenta Cunha. “São Paulo perdeu com Doria, que não conseguiu ser candidato, com Serra, com Alckmin, com Covas, com Quércia, com Montoro”, pontua.
Em sua avaliação, Cunha disse que a rejeição ao sobrenome Bolsonaro já está consolidada: “A rejeição do Flávio, ou dos Bolsonaros, é uma rejeição já medida, precificada. Sabemos que qualquer coisa que a gente jogar no Flávio não vai pegar, porque a rejeição já está no limite, assim como a do Lula”.
Já Tarcísio, afirmou, ainda teria espaço para desgaste ao longo da campanha: “É um candidato novo, meio desconhecido no Brasil. Quando ele começar a fazer campanha e todo mundo começar a criticar, a rejeição dele pode passar a do Flávio”.
O ex-deputado avaliou que a eleição tende a ser “acirrada” e “pau a pau”. Demonstrou ceticismo em relação a uma 3ª via e questionou a viabilidade de alianças alternativas ao bolsonarismo.
Entre outros pré-candidatos estão nomes como o dos governadores Romeu Zema (Novo-MG) e 3 do PSD: Ronaldo Caiado (GO), Ratinho Junior (PR) e Eduardo Leite (RS). “Alguém acha que o Zema vai apoiar o Ratinho ao invés de apoiar o Flávio Bolsonaro?”, indagou.
João Paulo também reconhece que o governo demorou a buscar partidos de centro. “Perdemos um pouco do tempo. Se a gente tivesse começado isso há 1 ano, talvez estivéssemos em uma situação um pouco melhor”. Defendeu que o governo avance na construção de alianças, sem abandonar sua identidade: “O PT tem a obrigação quase histórica de continuar sendo de esquerda. Agora, o governo precisa sinalizar e avançar para o centro”.
Embora Lula e o ministro Fernando Haddad destaquem indicadores como queda do desemprego e alta da Bolsa, Cunha avalia que a economia não será o eixo central da disputa: “Os números são positivos e precisam ser divulgados. No entanto, vivemos um momento em que isso é insuficiente”.
Disse considerar difícil reduzir a rejeição de Lula e que a campanha será marcada por críticas e desinformação: “Será uma disputa muito baixa. O grande desafio é conseguir fazer uma campanha em que não cometam muitos erros. Porque, se jogar do jeito que está, o Lula vai ganhar”.
Sobre a vaga de vice, afirmou que Geraldo Alckmin (PSB) “foi tão bom que o prêmio a ele é ser o que ele quiser”. Ainda assim, pondera que o vice ideal é “alguém que possa acrescentar mais”.
Créditos: Poder360



Comentários