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Operação que envolve Miguel Coelho muda correlação de forças na disputa pelo Senado

  • Foto do escritor: Jason Lagos
    Jason Lagos
  • 26 de fev.
  • 3 min de leitura

Caso o ex-prefeito fique inviabilizado na disputa, a corrida pelo Senado em Pernambuco irá afunilar


A operação da Polícia Federal sobre emendas parlamentares deflagrada esta quarta-feira e que envolveu a família Coelho de Petrolina, incluindo o ex-prefeito Miguel Coelho, pré-candidato ao Senado, caiu como uma bomba no meio político estadual, no qual Miguel figurava como um dos prováveis candidatos na chapa do prefeito João Campos e já tinha se encontrado com a governadora Raquel Lyra na tentativa de dar seguimento a um plano B, caso viesse a ser dispensado na aliança com o PSB.


Como o partido de Miguel, o União Brasil, faz parte de uma Federação com o PP,  partido que é da base da governadora, a ideia do ex-prefeito era de ser, ao lado de Eduardo da Fonte que é pré-candidato ao Senado pelo PP, a dobradinha da Federação no palanque de Raquel.


Embora o PP visse com maus olhos a candidatura de Miguel no palanque da governadora, o que poderia inviabilizar uma aliança nesse sentido, havia a expectativa de que, a nível nacional, a Federação acabasse resolvendo o assunto.


A disputa por Miguel, que teve um bom desempenho na campanha para governador em 2022, passou a ganhar tal relevância no entorno do Palácio Capibaribe e do Palácio do Campo das Princesas que deputados estaduais comentavam que o ex-prefeito de Petrolina estava se transformando em uma espécie de “noiva” da eleição.


No palanque do prefeito João Campos, Miguel também vinha sofrendo restrições impostas pelo PT por considerá-lo “um bolsonarista”, lembrando que Fernando Bezerra foi líder de Bolsonaro no Senado entre 2019 e 2021.


Caso o ex-prefeito fique inviabilizado na disputa, pois o calendário eleitoral está correndo e investigações como as que estão sendo feitas demoram a ser concluídas, a corrida pelo Senado, que conta com excesso de nomes, começará a afunilar. Em compensação, o prefeito João Campos se livra da saia justa de manter Miguel, apesar das restrições petistas, e a governadora Raquel Lyra também não vai precisar dar nó em pingo d’água para fazer o PP aceitar a companhia do ex-prefeito.


Em nota, Miguel Coelho afirmou ter sido “surpreendido” com a operação e classificou a ação como tendo viés político. Sustentou que os recursos investigados dizem respeito a emendas destinadas a Petrolina e que as ações realizadas no município seguiram trâmites legais, com prestação de contas regular. Também declarou confiança na Justiça e afirmou que seguirá atuando politicamente.


Na prática, a operação cria um problema de imagem e de cálculo eleitoral. Uma candidatura ao Senado depende de palanque competitivo ao governo. E dificilmente os dois principais pré-candidatos ao Palácio do Campo das Princesas — Raquel Lyrae João Campos — irão querer atrelar seus projetos a um nome que pode ser alvo de novas fases da investigação nos próximos meses. Em campanhas estaduais polarizadas, qualquer risco de fato novo vira munição permanente do adversário.

 

Sem Miguel, o ministro Sílvio Costa Filho pode voltar a sonhar com uma vaga no palanque de João Campos. Quem também pode se animar é a ex-deputada federal Marília Arraes e o atual senador Fernando Dueire, do MDB, nome defendido por Eduardo da Fonte para seu companheiro de chapa.


No meio do caldo de cultura em torno do Senado, o mundo político foi surpreendido também esta quarta com anotações de Flávio Bolsonaro em encontro com o PL e reproduzidas pelo jornal O Estado de São Paulo, onde o deputado federal Mendonça Filho surge como um nome que poderia disputar o Senado pelo PL. Na verdade, Mendonça recebeu convite do senador Rogério Marinho nesse sentido, mas não aceitou.

 

Segundo o Estadão, nas anotações de Flávio Bolsonaro apareceu ainda o nome da governadora Raquel Lyra como possibilidade de ter o apoio do PL para o governo, mesmo estando disposta a dar palanque ao presidente Lula.  Indagado pelo jornal sobre as anotações, Flávio Bolsonaro reconheceu como suas, mas afirmou que escreveu o que foi ouvindo das pessoas que participaram do encontro, e que não significa que sejam  ideias suas.



Créditos: Blog Dellas e Blog do Mário Flávio

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