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Operação contra Ciro Nogueira é vista como recado para Vorcaro apresentar fatos novos em delação

  • Foto do escritor: Jason Lagos
    Jason Lagos
  • há 7 dias
  • 3 min de leitura

A colaboração apresentada até agora por Vorcaro seria frágil, seletiva e construída para proteger aliados


A operação da Polícia Federal que apura suspeitas de irregularidades nas relações do senador Ciro Nogueira (PP-PI) com Daniel Vorcaro é vista por investigadores e autoridades com acesso às investigações como uma pressão extra para que a delação do dono do Banco Master apresente novos e robustos fatos para ser validada pelo STF (Supremo Tribunal Federal).


O entendimento dessas pessoas é de que a Polícia Federal tem conseguido avançar bem nas apurações sobre irregularidades relacionadas ao banco sem precisar de eventuais elementos apresentados na colaboração de Vorcaro.


O ex-banqueiro foi transferido no dia 19 de março do Presídio Federal de Brasília para a Superintendência da PF no Distrito Federal, local com melhores condições para cumprimento da prisão preventiva (sem tempo determinado), para negociar a delação.


Desde então, houve duas novas fases da operação Compliance Zero. A primeira delas, em 16 de abril, prendeu o ex-presidente do BRB (Banco de Brasília) Paulo Henrique Costa.


A segunda, nesta quinta (7), teve como principal alvo Ciro Nogueira, o presidente do PP e foi ministro da Casa Civil no governo Jair Bolsonaro (PL) —até o momento, a fase com maior investida sobre a classe política.


Tanto essas ações como outras medidas tomadas pela PF até o momento sinalizam que Vorcaro terá de apresentar elementos de prova que atinjam novos suspeitos, além da devolução de bilhões em recursos e pagamento de multa.


De acordo com a coluna da jornalista Mônica Bergamo, Mendonça afirmou a interlocutores com quem mantém diálogo frequente que não pretende homologar a proposta de delação premiada de Daniel Vorcaro nos termos em que ela está se apresentando.


Em nota, o gabinete do ministro afirmou que o magistrado tem sido "consistente e inequívoco" sobre delações: "(i) a colaboração premiada é um ato de defesa, um direito assegurado ao investigado; (ii) para que produza efeitos, a colaboração deve ser séria e efetiva; e (iii) as investigações devem seguir seu curso regular, independentemente da existência ou não de proposta de colaboração".


Um ponto ressaltado por pessoas que acompanham a investigação é que a fase da operação deflagrada nesta quinta não se baseou em nenhum depoimento ou colaboração de investigados, e que isso é uma amostra de que a PF tem material que prescinde de qualquer necessidade de acordo.


Além das operações, na última semana a PF pediu ao ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), para analisar a possibilidade de transferir novamente Vorcaro ao presídio federal. O pedido foi feito justamente porque o ex-banqueiro estava demorando para apresentar o material.


A proposta de delação premiada apresentada pelo banqueiro Daniel Vorcaro ao Ministério Público e à Polícia Federal nesta quinta-feira (7) foi recebida com forte desconfiança pelos investigadores do caso Master.


Segundo reportagem do jornal O Globo, a avaliação interna é de que a colaboração apresentada até agora é “frágil”, seletiva e construída para proteger aliados estratégicos do dono do Banco Master.


O ponto que mais chamou atenção da equipe responsável pelas investigações foi o capítulo dedicado ao senador Ciro Nogueira, considerado um dos principais operadores políticos ligados aos interesses do banqueiro em Brasília. O conteúdo apresentado por Vorcaro teria sido tão superficial e favorável ao parlamentar que, nos bastidores da investigação, ganhou o apelido de “beatificação de Ciro”.


Investigadores esperam que Vorcaro apresente detalhes sobre os esquemas nos quais esteve envolvido, além de indicar os meios para o ressarcimento dos prejuízos causados.


Pessoas próximas sugeriram que ele não estaria disposto a envolver magistrados do STF, o que desagradou os investigadores. Posteriormente, seus advogados afirmaram que ele não pouparia ninguém, o que destravou a fase inicial da negociação.



Créditos: Folha de SP e O Globo

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