Ministros de Lula admitem ter subestimado ameaças de Donald Trump e Eduardo Bolsonaro
- Jason Lagos
- 13 de ago.
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Ministros do governo Lula admitem, nos bastidores, ter subestimado as ameaças de sanções dos Estados Unidos a autoridades brasileiras feitas por integrantes do governo Trump e pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
Em conversas reservadas, ao menos dois influentes ministros de Lula afirmaram que, pouco tempo antes de serem oficialmente anunciadas, as promessas de sanções eram vistas apenas como “bravatas”.
Auxiliares de Lula ressaltam que a diplomacia brasileira costumava tranquilizar integrantes do governo federal, minimizando as chances de as sanções serem realmente oficializadas pelo governo americano.
O próprio ministro das Relações Exteriores brasileiro, Mauro Vieira, disse, no início de julho, não acreditar que as sanções viriam. E que, mesmo que fossem anunciadas, o Brasil não deveria “dar importância”.
Dias após essa entrevista, o governo Trump anunciou, primeiro, a revogação do visto do ministro do STF Alexandre de Moraes e de seus “aliados” na Corte. Depois, a aplicação da Lei Magnistky contra Moraes.
Em março, Eduardo foi alvo de chacota por parte de convidados de um jantar organizado por Alexandre de Moraes em homenagem ao ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
Dos 11 ministros do STF, sete compareceram, além de Moraes. Entre eles, Luís Roberto Barroso, atual presidente da Corte, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Edson Fachin, Nunes Marques, Luiz Fux e Flávio Dino.
O jantar ocorreu horas após Eduardo anunciar que tiraria uma licença não remunerada da Câmara para morar por um tempo nos Estados Unidos, por receio de ter o passaporte apreendido por Moraes.
Uma reunião entre o deputado federal licenciado, o governo dos Estados Unidos e assessores de Donald Trump em Washington está causando grande expectativa. O encontro deve ocorrer entre hoje e amanhã.
Eduardo Bolsonaro deverá entregar aos americanos um dossiê sobre os impactos políticos da aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes.
Ao lado do ex-comentarista da Jovem Pan Paulo Figueiredo, Eduardo pretende convencer a Casa Branca de que a estratégia foi bem-sucedida ao tensionar os bastidores da Corte e fortalecer a oposição no Legislativo.
No material, Eduardo e Figueiredo afirmam que Moraes não consultou o procurador-geral da República, Paulo Gonet, nem ministros próximos como Gilmar Mendes e Luís Roberto Barroso antes de determinar a prisão domiciliar de Bolsonaro.
O documento também associa a reação no Congresso ao cenário aberto pelas sanções. A oposição liderou recentemente uma rebelião para incluir a anistia a Bolsonaro e aos envolvidos no 8 de janeiro na pauta.
Um acordo, articulado por Arthur Lira (PP-AL) sem aval do atual presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), prevê a votação de um projeto que inclui ainda o fim do foro privilegiado para parlamentares. Para os aliados de Bolsonaro, essa mudança “libertaria” deputados e senadores da “chantagem” do Supremo e aumentaria as chances de aprovação da anistia.
Créditos: Metrópoles e O Globo



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