Marília Arraes pode deixar o PDT se federação com o PSB for aprovada

Marília já comunicou a aliados que não pretende permanecer na sigla se a união for concretizada
A senadora eleita Marília Arraes (PDT) poderá deixar o partido caso a direção nacional da legenda aprove uma federação com o PSB, presidido por seu primo e ex-prefeito do Recife João Campos. Segundo relato de uma pessoa próxima à pedetista, Marília já comunicou a aliados que não pretende permanecer na sigla se a união for concretizada.
Marília ainda espera que o PDT busque uma composição com outras legendas, como o PSDB, o Avante ou os integrantes da Federação Renovação Solidária, formada por Solidariedade e PRD.
A resistência à aliança com o PSB está relacionada ao histórico de divergências entre a senadora eleita e os socialistas em Pernambuco. Entre aliados de Marília, há a preocupação de que o partido de João Campos tenha protagonismo na federação e reduza o espaço político da pedetista nas próximas disputas.
Marília integrou a chapa de João Campos na eleição deste ano, quando ele foi derrotado na disputa pelo Governo de Pernambuco. A aproximação eleitoral, no entanto, não teria sido suficiente para afastar os incômodos entre os grupos.
Um dos episódios de desgaste ocorreu no segundo turno, quando João promoveu um café da manhã com lideranças envolvidas na campanha presidencial e Marília não teria sido convidada. Do outro lado, integrantes do PSB teriam demonstrado insatisfação com a exposição da senadora eleita ao lado do presidente Lula (PT) durante a campanha.
No PDT, Marília conta com o apoio do ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, em sua resistência à federação com o PSB. Segundo o Diario de Pernambuco, Wolney, que já defendeu a união entre as legendas, posicionou-se contra a proposta em reunião partidária, em solidariedade à senadora eleita.
A eventual mudança de partido após a posse de Marília no Senado, prevista para fevereiro de 2027, não provocaria a perda de seu mandato por infidelidade partidária. O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que essa regra não se aplica aos cargos escolhidos pelo sistema majoritário, como os de senador, prefeito, governador e presidente.
Para deputados e vereadores, eleitos pelo sistema proporcional, a troca de legenda pode resultar na perda do mandato, embora existam exceções previstas na legislação, como a janela partidária e outras hipóteses de justa causa.
As divergências entre Marília e João Campos têm origem anterior à eleição deste ano. Em 2020, os dois disputaram a Prefeitura do Recife em uma campanha marcada por ataques entre os grupos políticos. A possível federação agora recoloca essa relação no centro das articulações para as próximas eleições em Pernambuco.
As famílias Campos e Arraes iniciaram um processo de afastamento, após a morte de Eduardo Campos, quando os Arraes começaram a se queixar da perda de protagonismo no PSB. O mal-estar aumentou quando João Campos enfrentou Marilia em 2020, na disputa pela Prefeitura do Recife e acabou atacando fortemente o PT, ao qual ela estava filiada.
A situação virou um calcanhar de Aquiles para o ex-prefeito, inclusive na campanha desta ano, quando Raquel Lyra explorou à exaustão o que ele falara do PT no calor da campanha de 2020, coisa que os petistas não engolem até hoje.
No entorno de Marília há queixas também ao fato de João ter convencido Maria Arraes, irmã dela, a desistir da candidatura a deputada federal, para deixar uma janela para a senadora agora eleita ser contemplada, caso ela fosse dispensada da chapa majoritária para dar a João a possibilidade de fechar um acordo com a Federação União Progressista.
Maria acabou se candidatando a deputada estadual, não pelo PDT, mas pelo PSB. As duas irmãs estariam afastadas politicamente por conta disso.
Créditos: Blog do Mário Flávio e Blog do Augusto César




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